WRI firma parceria pela abertura de dados de mobilidade que contribuam com o desenvolvimento das cidades
As autoridades municipais em todo o mundo muitas vezes não dispõem de informações precisas e abrangentes sobre as condições de tráfego de suas malhas rodoviárias. Sensores nas estradas e outras tecnologias que podem coletar dados em tempo real são muitas vezes proibitivamente caros, mesmo para países desenvolvidos. Ao mesmo tempo, a quantidade de dados de mobilidade coletados pelo setor privado cresceu exponencialmente - uma oportunidade de colaboração entre empresas e governos para melhorar a mobilidade em todo o mundo.
Nesta semana, o WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis formalizou sua participação como membro fundador da Open Transport Partnership, uma iniciativa nova e única dedicada a fornecer dados de transporte abertos que permitam às cidades e agências de transporte locais melhorar a tomada de decisão sobre desafios de mobilidade e segurança viária.
Reunindo um conjunto diversificado de organizações e empresas, a parceria é resultado de um novo Termo de Cooperação Técnica entre World Resources Institute, Banco Mundial, National Association of City Transport Officials (NACTO), Mapzen, Grab, Easy Taxi, Le. Taxi, Miovision e NDrive.
Juntos, Easy Taxi, Grab e Le. Taxi atendem milhões de pessoas em mais de 30 países. A sua participação na primeira iniciativa da parceria, chamada de Open Traffic, irá gerar dados de velocidade e fluxo de tráfego agregando e tornando anônimos os fluxos dos condutores pelo GPS e torna-los disponíveis ao público sob uma licença de dados aberta. A Miovision, uma plataforma de coleta de dados de tráfego, e a NDrive, uma empresa de desenvolvimento de aplicativos para dispositivos móveis, também contribuirão com dados. Além disso, o WRI Ross Center e seus parceiros colaborarão para melhorar a política de mobilidade urbana baseada em dados por meio de programas técnicos, programas de pesquisa e treinamento e parcerias e discussões com entidades do setor privado e público no setor de mobilidade urbana.
A assinatura do termo de cooperação ocorreu após uma discussão sobre a Open Transport Partnership no Transforming Transportation, a conferência anual organizada pelo Banco Mundial e pelo WRI Ross Center e dedicada a promover a mobilidade sustentável a nível global. Um tópico central de discussão na conferência foi a importância de estabelecer parcerias público-privadas que alavanquem e ajudem a abrir ao público dados valiosos que geralmente são detidos pelas empresas de mobilidade, como Easy Taxi and Grab.
A Uber lançou neste mês sua própria ferramenta que disponibiliza um subconjunto dos dados globais da empresa ao público através de seu próprio painel de controle, que possui algumas semelhanças com a plataforma Open Traffic. Em comparação, a Open Transport Partnership facilita a colaboração entre as entidades públicas e privadas de uma forma mutuamente benéfica, assegurando que dados fundamentais de mobilidade urbana não sejam curados por uma única entidade privada e que os dados solicitados pelo poder público atendam às preocupações com a privacidade e a competitividade das empresas.
"A revolução dos dados está causando tremendas inovações no setor de transportes. Os dados serão a infraestrutura sobre a qual serão construídas as soluções urbanas do futuro. No entanto, se esses dados continuarem privatizados, as cidades não terão a oportunidade de aproveitar esse potencial. A Open Transport Partnership é exatamente o tipo de iniciativa que precisamos para fazer a revolução dos dados funcionar para as cidades", disse Ani Dasgupta, diretor global do WRI Ross Center para Cidades Sustentáveis.
"A quantidade de dados que os novos serviços de mobilidade estão produzindo é sem precedentes, e isso não se restringe a cidades altamente desenvolvidas, mas também para cidades do Sul Global. Isso significa que se cidades ao redor do mundo ou organizações facilitadoras, como o WRI Ross Center, puderem ter acesso a pelo menos uma pequena porção desses dados e extrair algumas ideias a partir deles, será um enorme passo em termos de compreensão da mobilidade e suas lacunas. Com isso, será possível desenvolver políticas e intervenções baseadas em evidências concretas", disse Diego Canales, colaborador em Inovação de Dados e Ferramentas do WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis.
