Transforming Transportation: trabalho conjunto entre governos nacionais e locais é fundamental para o desenvolvimento urbano sustentável
O Transforming Transportation 2016 começou hoje com o compromisso de estimular mudanças concretas nas cidades no que diz respeito ao transporte urbano. Especialistas e representantes de governos e organizações da sociedade civil reunidos em Washington D.C. entre hoje (14) e amanhã (15) discutem os diferentes aspectos que inter-relacionam cidades, transporte e desenvolvimento sustentável.
Na manhã desta quinta-feira, o painel “Como os governos nacionais podem apoiar a implementação de ações locais” debateu o que os governos federais podem fazer para garantir que medidas em prol da mobilidade e do desenvolvimento urbano sustentáveis sejam postas em práticas nas cidades. Participaram Roland Ries, Prefeito de Estrasburgo; Dario Lopes, Secretário Nacional de Transporte e Mobilidade Urbana do Brasil; Holger Dalkmann, Diretor da EMBARQ; D.S. Mishra, Secretário Adicional do Ministério de Desenvolvimento Urbano da Índia; Young-Tae Kim, Diretor de Políticas de Transporte da Coreia do Sul; e Ede Jorge Ijjasz-Vasquez, Diretor Sênior de Desenvolvimento Urbano, Rural e Social do Banco Mundial.
Ao fim de 2015, a COP 21 encerrou deixando a todos uma mensagem e uma tarefa: para que mudanças reais aconteçam, as cidades precisam liderar a trajetória rumo ao desenvolvimento urbano sustentável. Ações locais e focadas no setor de transportes, cujas emissões podem dobrar até 2050, têm o potencial de alavancar a sustentabilidade urbana, como apontou Holger: “Voltamos de Paris com a tarefa de empoderar as cidades, e esse é o momento de colocar em prática ações urgentes e fortes. O desenvolvimento urbano e o desenvolvimento econômico precisam andar juntos, em uma abordagem holística, para que possamos construir cidades mais sustentáveis”.

Holger Dalkmann (Foto: WRI Ross Center for Sustainable Cities)
Ações locais são chave para o desenvolvimento sustentável, e os governos nacionais precisam possibilitar que as cidades tenham condições de implementar medidas voltadas à mobilidade sustentável. “As autoridades nacionais devem oferecer diretrizes para as cidades, e as gestões municipais devem implementá-las. Mas não de uma maneira uniforme, porque não existe um caminho pronto. Cada uma precisa adaptá-las conforme seu contexto e características”, apontou o prefeito de Estrasburgo, Roland Ries.
Contextos diferentes, mesmo objetivo
Na Coreia do Sul, como contou Young-Tae Kim, a meta é reduzir as emissões em 30% até 2020. O país, como o Brasil, passa pelo crescimento do número de veículos em circulação e trabalha para desenvolver ferramentas de cooperação entre o governo nacional e os municipais. A Índia, por sua vez, soma 137 cidades com um Sistema de ônibus municipal estruturado, em um esforço para renovar o transporte coletivo no país. A troca de experiências entre os participantes do painel, vindos de diferentes países, mostrou que, embora o contexto socioeconômico varie, o objetivo permanece o mesmo. Tanto Índia e Brasil, países ainda em desenvolvimento, quanto Estados Unidos almejam a mesma mudança: alavancar o desenvolvimento urbano e o transporte sustentáveis para construir cidades melhores.

Dario Lopes (foto), Secretário Nacional de Mobilidade Urbana, representou o Brasil no painel e falou sobre o contexto brasileiro. O secretário apontou o crescimento da população, a expansão das cidades e o aumento da frota de carros, que em 2015 atingiu a marca de 45 milhões, como principais fatores para os problemas do país quando o assunto é mobilidade. Além disso, em um cenário de crise, o financiamento de investimentos na mobilidade urbana torna-se um desafio para mudar a realidade das cidades.
“O Brasil tem 60 milhões de carros e motos, e nós estamos matando aproximadamente 42 mil pessoas em acidentes de trânsito por ano. Trabalhamos para melhorar a qualidade do transporte coletivo, mas sabemos que, infelizmente, independentemente do governo no Brasil, é mais provável que subsídios sejam usados para combustível e veículos. Precisamos deixar para trás valores ultrapassados no que tange à mobilidade, buscar novas fontes de financiamento e investir na qualificação do transporte coletivo”, declarou o secretário.
O investimento nos modos de transporte sustentáveis é o caminho para transformar o modelo urbano voltado para o carro que ainda prevalece e prejudica a maior parte das cidades – financeira, social e ambientalmente. Garantir que as áreas urbanas em todo o mundo tenham pela frente um futuro sustentável exige a colaboração entre os diferentes níveis de governo, com comprometimento e vontade política. “Vai chegar o dia em que nos perguntaremos como fomos tão cegos a respeito da mobilidade. Ainda estamos no começo de uma mudança que está longe de terminar. Precisamos implementar novas soluções, e não há mais tempo para esperar”, afirmou Ries.
