Segundo dia de workshop promove reflexão sobre segurança viária em Fortaleza
Interseções, largura de pista, ciclovia, ciclofaixa, canteiros, faixas de pedestre, árvores, calçadas. Há muito o que se debater para tornar as vias mais seguras e acessíveis aos habitantes de uma cidade. Para pensar em soluções aplicáveis a Fortaleza que especialistas e técnicos em segurança viária se reuniram no segundo dia do Workshop de Desenho Seguro de acordo com Limites de Velocidade, nesta quarta-feira (27).
Abrindo a manhã de atividades na capital cearense, a sueca Charlotte Berglund, engenheira civil da SWECO, uma das maiores consultorias da Europa, apresentou alguns métodos de desenho urbano utilizados nas vias do país europeu para garantir maior segurança às pessoas. Para ela, é fundamental que as cidades tomem decisões. “Você tem de decidir o que e quem é mais importante nas cidades. Essa resposta, é claro, são os usuários vulneráveis”, destacou.
A engenheira civil sueca Charlotte Berglund, da SWECO (Foto: Paula Tanscheit/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), metade das mortes no trânsito de todo o mundo ocorre entre as pessoas menos protegidas – motociclistas (23%), pedestres (22%) e ciclistas (4%). No Brasil, os números são semelhantes – motociclistas (28%), pedestres (20%) e ciclistas (4%). Charlotte apontou dados que vão ao encontro do estudo “Impactos da Redução dos Limites de Velocidade em Áreas Urbanas”, desenvolvido pelo WRI Brasil Cidades Sustentáveis, que mostra como uma redução de 5% na velocidade média dos veículos pode resultar em 30% menos acidentes fatais. "Pessoas cometem erros. As ruas não podem punir esses erros com acidentes fatais. Por isso, as cidades devem ser pensadas para as pessoas", afirma Charlotte. O limite de velocidade recomendado pela OMS para vias urbanas é de até 50 km/h. Em áreas com grande movimentação de pedestres e ciclistas, a recomendação para o limite máximo de velocidade é ainda menor, de 30 km/h.
Na sequência, a arquiteta e urbanista do Plano de Ações Imediatas em Trânsito e Transporte de Fortaleza (PAITT), Emiliana Gifoni, apresentou os problemas da região do Lago Jacarey, uma área conhecida pelo entretenimento em Fortaleza. “O uso do solo da região é dividido em três espaços. O primeiro é residencial, o segundo, totalmente comercial, e o terceiro é misto. Por isso, é difícil encontrar algumas soluções para a área”, explicou. Novamente em grande número, os técnicos e especialistas, divididos em grupos, debateram ideias para atender a proposta de inserir uma ciclovia na região e de criar mais espaços para acomodar as demandas de acesso ao comércio local.
Emiliana Gifoni em debate sobre a região do Lago Jacarey (Foto: Paula Tanscheit/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)
Os dois dias de workshop contaram com a presença de diversos técnicos da Prefeitura de Fortaleza, entre eles do PAITT, da Autarquia Municipal de Trânsito (AMC), da Divisão de Engenharia de Trânsito (DIENG), da Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (ETUFOR), da Secretaria Municipal da Infraestrutura (SEINF), do Departamento Estadual de Trânsito do Ceará (Detran-CE), da Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP), além dos técnicos da Bloomberg Initiative for Global Road Safety. Estiveram novamente no eventos as Especialistas em Segurança Viária do WRI Brasil Cidades Sustentáveis Rafaela Machado e Shanna Trichês Lucchesi.
