O que as cidades brasileiras podem aprender com o Reino Unido sobre cidades inteligentes?
A partir desta segunda-feira (5), gestores públicos farão parte de uma missão técnica ao Reino Unido para conhecer conceitos e boas práticas de cidades inteligentes. Celio Bouzada, da BHTrans; Eleoterio Codato, do Ministério das Cidades, e João Domingos Azevedo, do Instituto Pelópidas Silveira (Recife), irão visitar Glasgow, Milton Keynes e Londres, cidades com diversas iniciativas que incentivam o compartilhamento e a análise de dados, a interação de serviços e a participação dos cidadãos na construção de uma cidade mais moderna e inteligente.
“Devemos estimular as cidades a abrirem e compartilharem seus dados e a criarem sistemas integrados, com uso de tecnologia, para promover soluções aos complexos desafios urbanos. As cidades da Europa já conseguiram superar muitas barreiras neste caminho e conhecer como cada uma resolveu essas questões é importante para replicarmos boas ideias no Brasil”, ressalta Luis Antonio Lindau, diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis.
Mas o que, afinal, é uma cidade inteligente?
Pense em sensores monitorando o uso de energia e o fluxo do trânsito, por exemplo, e enviando esses dados diretamente aos administradores da cidade. Ou aplicativos que ajudam os moradores a identificar a melhor rota para casa ou os mais adequados locais para inserção de lixeiras. Essas são apenas algumas possibilidades de uso de tecnologia para deixar as cidades mais inteligentes. As informações em tempo real são usadas para organizar os serviços na cidade e podem gerar diversos benefícios para a população, como definir o melhor trajeto a ser feito para casa em menos tempo, por exemplo.
Apesar de essa ser a ideia dos sonhos de vários moradores ou gestores, nem todas as prefeituras têm profissionais qualificados para utilizar essas tecnologias ou recursos financeiros para implementar tais sistemas. Um primeiro passo para a construção de cidades inteligentes é desmistificar o assunto e fornecer informações práticas sobre esses processos para incentivar inovações tanto dentro quanto fora da prefeitura. “O acesso a informações em tempo real é um benefício real para população e para as cidades. A grande questão é como começar sem ter um conhecimento básico do que é possível fazer”, explica Lindau. O acesso aos dados é uma das dificuldades da formação de cidades inteligentes, mas definir quais dados exatamente são necessários para resolver um problema ou ter quadro técnico qualificado para analisá-los e tomar decisões também são desafios na implementação de tecnologia para melhorar os serviços urbanos.
Ideias que vêm de fora
São estas e tantas outras abordagens que o WRI Brasil Cidades Sustentáveis pretende passar às cidades durante a missão técnica ao Reino Unido. Glasgow, a primeira parada da missão, aproveita a grande quantidade de dados existentes e de pessoas engajadas para desenvolver ideias inovadoras e que podem inspirar outras cidades. A maior cidade da Escócia abriu centenas de dados para acesso público, capacitou comunidades e reuniu empresas para explorar como estes dados podem ser usados para resolver desafios urbanos de saneamento básico, mobilidade e segurança pública. Planejadores urbanos, lideranças e o quadro técnico de diversos países e cidades do mundo querem saber como Glasgow está se transformando na cidade mais interconectada do planeta.
Já Milton Keynes, uma cidade de cerca de 200 mil habitantes a oeste de Londres, possui uma central tecnológica que suporta a aquisição e gestão de grandes quantidades de dados a partir uma variedade de fontes. Dados sobre consumo de energia e água, transporte, adquiridos através da tecnologia de satélites, dados sociais e econômicos e dados crowdsourced são usados para gerar informações preciosas e organizar o funcionamento da cidade em tempo real.
Em Londres, o grupo participará de um workshop prático sobre soluções de problemas baseado em uma análise do sistema de transportes de Belo Horizonte. A pesquisa, realizada pela Future Cities Catapult, identificou os principais desafios dos sistemas de transportes por ônibus da cidade e aponta como a jornada de serviço do sistema BRT local (ônibus de trânsito rápido) pode ser melhorada para seus cidadãos. Além dessa atividade prática, os participantes irão, nos dias subsequentes, conhecer iniciativas que incentivaram o empreendedorismo na cidade e alguns modelos financeiros e de governança que podem viabilizar o desenvolvimento de cidades inteligentes.
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A missão técnica faz parte do projeto Cidades + inteligentes no Brasil, realizada em parceria entre WRI Brasil Cidades Sustentáveis e Future Cities Catapult e conta com o apoio da Embaixada Britânica. Também participam da missão Matheus Ortega, gerente de infraestrutura do Prosperity Fund da Embaixada Britânica; Guilherme Johnson e Lavínia Cox, da Future Cities Catapult.
