Corredor Verde, em Cali, busca desenvolver cidade colombiana a partir de eixo de transporte
Ao abrir o Fórum de Desenvolvimento Orientado ao Transporte (DOT) Para uma Cali Mais Sustentável, em 20 de junho, o prefeito da capital colombiana, Maurice Armitage colocou o Corredor Verde no centro das transformações da cidade rumo à sustentabilidade. Realizado na Câmara do Comércio local, o evento recebeu mais de 80 especialistas em desenvolvimento urbano de diversos países.
O Corredor Verde é o grande projeto de desenvolvimento urbano de Cali. Trata-se da renovação de uma importante e antiga ferrovia (Ferrocarril de Occidente) que sempre foi uma espinha dorsal, cortando a cidade ao meio e moldando a sua dinâmica socioeconômica por décadas. É um retrato do passado industrial próspero e da permanente demarcação entre o rico lado oeste e o menos favorecido lado leste.
Os desafios urbanos de Cali não são muito diferentes dos de outras cidades da América Latina. O crescimento da população e do número de carros aumentou a poluição, os engarrafamentos, as mortes no trânsito, o que resultou em falta de espaços públicos e de mais estradas. O espaço público por pessoa em Cali é de apenas 2,45 metros quadrados.
Por isso, para muitos, o Corredor Verde é uma oportunidade para uma renovação urbana icônica e estratégica para Cali e toda a Colômbia. Os planos iniciais de construir uma estrada pedagiada foram abandonados para favorecer o transporte de massa e os espaços públicos. Isso indica uma mudança clara na maneira de a cidade enxergar o seu desenvolvimento urbano. De muitas formas, o Corredor Verde serve de exemplo emblemático de como uma cidade de porte médio de uma cidade Latinoamericana está buscando a transição de uma urbanização sem gestão para uma com planejamento, sustentável, dinâmica, de baixo impacto e com o desenvolvimento orientado pelo transporte.
“É uma oportunidade ímpar de desenvolvimento orientado ao transporte sustentável, com uma grande disponibilidade de áreas verdes a preservar e espaços para o desenvolvimento urbano em áreas consolidadas da cidade. Reconhecer que uma rodovia ali seria um erro foi um grande passo. Agora, é fazer o projeto sair do papel e torna-lo um corredor de desenvolvimento, que é a sua grande vocação”, explica Henrique Evers, Coordenador de Desenvolvimento Urbano do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, que esteve na Colômbia durante o fórum.
O processo tem dimensões estratégicas que vão direto ao núcleo de gestão moderna de cidade. Necessidades dos cidadãos para a mobilidade acessível e habitação devem ser atendidas enquanto se equilibra a expansão urbana em terras agrícolas com a redensificação da parte central, que levanta questões sensíveis da informalidade urbana. A parte central do corredor inclui invasões residenciais e atividades comerciais sem licença e fornece a fonte de subsistência de algumas das populações mais pobres de Cali. Além da dinâmica interna, a cidade também deve articular uma relação produtiva com as suas vilas e aldeias vizinhas.
Enfrentar essas questões estratégias ajudará a transformar o Corredor Verde de um bom conceito para um investimento urbano transformador, que tem um potencial único de ser um grande exemplo de DOT não apenas para a cidade, mas para a Colômbia e toda a América Latina. Veja um vídeo explicativo sobre o projeto:
Encontrando um modelo de negócio que funciona
Dado o potencial transformador do projeto, uma coalizão de atores públicos e privados está se formando em torno do Corredor Verde. Localmente, as coalizões estão sendo construídas entre a agência municipal de restauração (EMRU), a associação da indústria local e a Câmara de Construção (respectivamente, Alianza por la Renovação Urbana de Cali e CAMACOL Valle). Nacionalmente, o banco de desenvolvimento da Colômbia, o FINDETER, é um parceiro-chave através do seu Centro especializado para a Promoção do Desenvolvimento Orientado ao Transporte (CIUDAT). Internacionalmente, há interesse de importantes instituições que inclusive já se envolveram: a articulação Alemanha-Reino Unido NAMA, a agência francesa de desenvolvimento (AFD), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o banco de desenvolvimento alemão (KFW), a Fundação Gold Standard e o Centro de Limpeza Air Policy (CCAP), entre outros.
Aos poucos, o Corredor Verde busca operacionalizar o conceito de Desenvolvimento Orientado ao Transporte. A primeira fase está concentrada na adaptação de uma ciclovia ao longo de uma seção de cinco quilômetros a leste do centro. Esta seção também terá a reconstrução de uma antiga cervejaria que será transformada em edifícios de apartamentos para ajudar a resolver déficit habitacional da cidade. As fases subsequentes irão centrar-se na criação de espaços públicos ao longo do corredor e beira dos rios, além da construção de um sistema de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) que deve ser concluído até 2022.
Para conseguir isso, os líderes urbanos dos setores público, privado e civil estão buscando ferramentas de desenvolvimento urbano para criar um modelo de negócio viável para o corredor. Isso envolverá a compreensão precisa dos investimentos, de como pagar por eles, mobilizando capital de investimento e desenhando o conjunto de contratos legais, regulatórios e comerciais disponíveis na Colômbia hoje.
Capacitação e diálogo para uma transição urbana
O comprometimento do prefeito Armitage com o Corredor Verde é parte de uma ampla política de mobilidade sustentável, que tem intenção de melhorar os sistemas de transporte de massa e promover o uso de transporte não-motorizado, principalmente bicicletas. O Fórum é parte de um processo longo de transformação urbana que coloca as pessoas em primeiro lugar.
Além de eventos públicos, serão encaminhados capacitações internas e diálogos entre a administração pública em diferentes departamentos, ministérios federais e o setor privado. O WRI oferece o seu conhecimento em DOTs para ajudar Cali a avançar na formulação e na implementação do Corredor Verde para otimizar o uso do solo com objetivos econômicos, sociais e ambientais. Conforme o projeto avançar nos próximos meses, será desenvolvida uma nova estruturação e operacionalização do investimento em DOTs.


