Anel Viário de Florianópolis: projeto para uma cidade mais conectada
O seminário “Mudanças Climáticas, Mobilidade e Inovação”, em Florianópolis, realizado pelo WRI Brasil Cidades Sustentáveis com o apoio da Embaixada Britânica e em parceria com a prefeitura da cidade, chegou ao fim na noite desta terça-feira (8), com a apresentação do projeto do Anel Viário, que terá o primeiro corredor exclusivo para ônibus na capital catarinense. O consultor Michel Mittmann, arquiteto do Studio Metaphora, falou sobre a obra, que visa melhorar os gargalos de transporte e promover uma maior integração na região.
Antes de explicar como será a execução das obras, Mittmann introduziu alguns conceitos do funcionamento do BRT (Bus Rapid Transit) e mostrou como o sistema influencia positivamente a rotina das cidades. Entre os benefícios citados, o arquiteto destacou a melhora na qualidade de vida resultante da economia de tempo nos trajetos, a segurança viária e a integração social.
(Foto: Priscila Pacheco/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)
“O BRT se tornou um projeto possível para não esperarmos gerações por um metrô. O metrô é uma realidade distante, porque é complicado e caro, assim como a ferrovia elevada. O BRT, que tem uma faixa de custo menor, também atende a uma parcela de passageiros muito grande. Por isso, se mostrou uma alternativa viável para o momento que estamos vivendo”, explicou o consultor.
O projeto do Anel Viário terá 17 quilômetros de extensão e fará todo o contorno na região central, passando pelo Ticen, Beira-mar Norte, Trindade, Pantanal, Saco dos Limões e Prainha. Entre outros benefícios previstos no projeto, estão a melhoria nas calçadas ao longo da via, o sistema de controle integrado de semáforos (ITS), a sinalização horizontal e vertical, a faixa para pedestres e os abrigos de passageiros. O prazo para conclusão é de três anos. As obras, que contam com recursos municipais, estaduais e federais, dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), estão orçadas em torno de R$ 150 milhões. Nos próximos anos, com todas as melhorias que serão implementadas em decorrência do projeto, o investimento será em torno de R$ 1 bilhão.
O Plano de Moblidade Urbana Sustentável da Grande Florianpópolis (PLAMUS) apontou que as soluções mais eficientes para a conexão metropolitana Ilha-Continente são a utilização da via expressa (São José-Florianópolis) como corredor troncal e a adoção de terminal de integração nas proximidades. O projeto indica três diferentes subsistemas troncais relacionados ao sistema central do Anel Viário, ligando as áreas com os corredores alimentadores. A proposta de BRT não substitui por completo o modelo de transporte coletivo atual da cidade, mas deve ser integrado ao sistema. Nesse sentido, é preciso que o desenho no entorno das estações levem em conta a acessibilidade e a segurança dos usuários. “A ilha tem algumas características morfológicas interessantes que podem jogar a favor da cidade. Além das linhas alimentadoras, precisamos pensar em caminhos para bicicleta e pedestres também como alimentadores do sistema. Pretendemos utilizar o BRT como chance de transformação e conexão mais urbana. O mais importante é saber que você deixa um gancho para um projeto futuro, que ele motive uma mudança maior”, enfatizou Mittmann.
Oportunidade para o DOTS
Além das alterações em mobilidade urbana, o projeto do Anel Viário também é uma oportunidade para rever o modelo de desenvolvimento da cidade. Para estabelecer essa relação, Henrique Evers, Coordenador de Desenvolvimento Urbano do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, apresentou as premissas do Desenvolvimento Orientado para o Transporte Sustentável – DOTS, modelo de planejamento urbano que propõe bairros compactos, de alta densidade populacional e com uma diversidade de usos no piso térreo da rua para atividades comerciais e serviços. “Significa mudar do modelo de cidade sem limites de expansão para um modelo de cidade mais compacta e integrada”, disse.
Os conceitos do DOTS ajudam a criar uma formatação urbana mais racional, com melhor uso do espaço público e integração dos modos de transporte. Se, atualmente, o desenvolvimento urbano é “carrocêntrico”, a ideia é repensar as prioridades.
(Foto: Priscila Pacheco/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)
O PLAMUS traz um capítulo com essas diretrizes, prevendo novos eixos e novas centralidades no cenário futuro da Região Metropolitana de Florianópolis. “O estudo traz uma boa ideia. As prefeituras devem se apropriar do que está proposto para pensar seus projetos de desenvolvimento urbano”, defendeu Evers. O coordenador trouxe o exemplo de Curitiba (PR), que aproveitou a infraestrutura de transporte para valorizar as áreas do entorno e rever seu modelo.
Os benefícios trazidos pelo DOTS incluem questões econômicas como o aumento de produtividade e avalorização imobiliária; benefícios para o município, com o aumento do uso do transporte coletivo e da receita gerada por esse movimento; para os moradores e proprietários, com a redução no custo de deslocamento e o aumento da segurança viária; além de questões ambientais, a partir da redução das emissões de gases do efeito estufa e da eficiência no consumo energético e de recursos.
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