O que as cidades querem para a mobilidade urbana em 2015

(Foto: Bruna Vieira Silva)
Um novo ano é tempo de celebração e mudança e, para algumas cidades brasileiras, de fato o cenário promete ser melhor. Mirando no futuro com planos e projetos de mobilidade urbana sustentável, líderes municipais reconhecem que há grandes desafios, mas estão no caminho para a construção de cidades mais humanas, acessíveis e saudáveis.
O que as cidades querem para a mobilidade em 2015? Os municípios estão na linha de frente do desenvolvimento sustentável, e por isso fizemos a pergunta a alguns líderes municipais nos dias 2 e 3 de dezembro, durante o Seminário Mobilidade Urbana Sustentável: Práticas e Tendências, realizado pela EMBARQ Brasil em parceria com o WRI Brasil, em São Paulo. As respostas anunciam boas práticas que nos fazem brindar 2015 com alegria.
Belo Horizonte (MG)

(Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil)
“No caso de Belo Horizonte, imagino que consolidaremos nossos dois corredores BRT (Bus Rapid Transit), que já transportam 480 mil passageiros por dia. Vamos começar um novo projeto de corredor, da Avenida Amazonas, e esperamos também que o projeto do metrô tenha encaminhamento e solução adequada. Tudo para que tenhamos, até a virada da década, uma rede estruturante envolvendo um conjunto de corredores de BRT e alguns eixos básicos de metrô, melhorando enormemente a mobilidade dos belo-horizontinos.”
Ramon Victor Cesar, presidente da BHTrans
Juiz de Fora (MG)

(Foto: Priscila Pacheco/EMBARQ Brasil)
“Queremos um sistema de transporte mais atraente à população. Com um nível de informação ao usuário que permita entender seu funcionamento. Hoje, falamos muito mal com nosso cidadão. Queremos trabalhar a redução de acidentes, de níveis de atropelamento, como temos feito com a EMBARQ Brasil, em travessias de pedestres, calçadas. Enfim, queremos humanizar mais o sistema de transporte e de trânsito, porque nós tivemos décadas de desenvolvimento planejado para o automóvel e não para as pessoas. A própria Política Nacional de Mobilidade Urbana nos induz a praticar este conceito. Uma cidade para as pessoas e não para os automóveis.”
Rodrigo Tortoriello, secretário de Mobilidade Urbana de Juiz de Fora
Florianópolis (SC)

(Foto: Zé Paiva/PLAMUS)
“Teremos que escolher projetos prioritários, que serão decorrentes do PLAMUS (Plano de Mobilidade Urbana da Grande Florianópolis) e captar recursos. Acredito que trabalharemos bastante para melhorar a gestão do sistema do tráfego das cidades. O cenário é favorável. A grande transformação e iniciativa prioritária é o transporte público metropolitano de qualidade, através de pneus – com confiabilidade similar a do metrô. Só assim conseguiremos que as pessoas deixem o carro em casa e passem a utilizar o transporte mais sustentável. Estamos mostrando que isso é possível, mas há um grande desafio para fazer com que tudo isso aconteça.”
Guilherme Medeiros, SCParcerias - PLAMUS
Curitiba (PR)

(Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil)
“Nós desejamos e estamos trabalhando para uma cidade mais humana. Temos vários desafios nesse sentido. Na área do transporte, temos trabalhado por intervenções relativamente simples, mas que acreditamos que vai melhorar muito do ponto de vista da humanização. Por exemplo, recentemente o prefeito Gustavo Fruet fez o chamado Busão Seguro. Dentro desse programa temos um conjunto de ações voltadas ao respeito à mulher no transporte coletivo, temos a “Parada Livre” – na qual a partir das 22h qualquer pessoa pode descer do ônibus onde quiser, não necessariamente no ponto. Temos um projeto “Ponto de Luz”. Só em Curitiba há 6.500 pontos de ônibus e estamos melhorando a iluminação de todos eles para transmitir segurança. Desenvolvemos, em um conjunto de protocolos com a guarda municipal e forças de segurança, mecanismos para mobilização da polícia sempre que necessário – é o chamado “Busão Seguro”. No ano passado implementamos a tuboteca – nas estações tubo, temos estantes com livros gratuitos para os usuários. As pessoas podem ler na estação, no ônibus, em casa, e devolver no ônibus. Outra ação foi a instalação de fraldários em todos os terminais de ônibus. São ações relativamente simples, mas que têm o viés de buscar maior humanização e fazem a diferença no dia a dia das pessoas.”
Roberto Gregorio da Silva, Presidente da URBS Curitiba
Pelotas (RS)

(Foto: Diogo Pires/EMBARQ Brasil)
“Estamos em via de finalizar os projetos do PAC Mobilidade em Pelotas, então 2015 promete ser um ano de intensa transformação da cidade com faixas de ônibus, ciclovias, ciclofaixas, novos espaços para pedestres, com alargamento de calçadas e novos calçadões. Uma intervenção bem profunda na cidade, que certamente vai modificar o panorama da mobilidade urbana, facilitando deslocamentos das pessoas e garantindo mais segurança a todos. O ano de 2015 começará com convicção de que será com o trabalho que fizemos em 2013 e 2014, com apoio técnico da EMBARQ Brasil e recursos do Ministério das Cidades, vamos garantir essa entrega tão demandada pelos cidadãos.”
Eduardo Leite, prefeito de Pelotas
“Estamos focando em nosso plano de mobilidade urbana. É bem provável que no final de 2015 iremos entregá-lo. Não queremos fazer algo atropelado apenas para cumprir prazo, mas sim um processo do qual as pessoas participem e se apropriem. Nosso plano, com apoio da EMBARQ Brasil, terá sempre foco nas pessoas, nas calçadas antes das vias, no fator humano. Esta é nossa meta.”
Joseane Almeida, secretária de Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana de Pelotas
Santa Maria (RS)

(Foto: Arquivo da Secretaria Municipal de Turismo de Santa Maria/RS)
“Queremos continuar melhorando o que a gente vem fazendo e que a gente consiga fazer um projeto de mobilidade urbana que atende os objetivos da cidade e melhore o transporte público.”
Miguel Caetano Passini, secretário de Mobilidade Urbana de Santa Maria
Maringá (PR)

(Foto: Hugo Carlone)
“Em 2015, teremos boa parte do problema de mobilidade urbana resolvida. Estamos trabalhando em nosso plano de mobilidade desde 2012. Conseguimos resolver um ponto essencial para que completássemos nosso plano, que foi o consenso com duas cidades que têm conurbação com Maringá. As diretrizes viárias foram estabelecidas e estão sendo seguidas, tanto pelo nosso município quanto pelos dois vizinhos. Temos licitação do terminal intermodal, que vai dar condições para que consigamos trabalhar a integração do transporte ferroviário, uma vez que ele será implantado por cima de um túnel por onde passa a linha férrea. Lá, temos condição de instalar um par de trilhos cujo objetivo é ligar Maringá a Londrina. E outro para servir a região metropolitana, no intuito de aprimorar a rede de transportes. Maringá tem 300 mil habitantes, com 300 mil veículos. É uma cidade em expansão e temos um ótimo resultado urbano, com nosso único bairro fora do padrão urbanístico totalmente revitalizado. Incluindo cobertura de vias para ônibus e caminhão do corpo de bombeiros. Para 2015, também vamos abrir vários pontos de avenidas importantes que estavam interrompidas. Dessa forma, teremos melhoria significativa tanto na ligação leste-oeste quanto na ligação norte-sul.”
Laércio Barbão, secretário de Planejamento e Urbanismo de Maringá
Joinville (SC)

(Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil)
“Em 2015, prevemos a conclusão do plano de mobilidade e o inicio das obras do PAC Mobilidade Médias Cidades. Esses dois eventos serão impactantes, uma vez que a mobilidade na cidade está muito pior que anos atrás, com aumento da frota de veículos e com a falta de priorização do transporte coletivo. A qualidade dos deslocamentos tem caído, tanto de quem escolhe o transporte coletivo, quanto de quem usa a bicicleta, mesmo para quem usa seu carro. A mobilidade não está indo bem. Então o ano de 2015 é muito importante para promovermos uma virada nessa tendência. Estes dois trabalhos – o plano de mobilidade e os projetos do PAC – saindo do papel são as chances que temos para buscar a mobilidade sustentável. Projetos PAC incluem 55km de corredores e faixas exclusivas. As obras contam com passeios, ciclovias, abrigo de passageiros e estações, e retiram faixas de automóveis e estacionamentos, e assim incluindo faixas para transporte coletivo.”
Vladimir Constante, presidente IPPUJ (Fundação Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville)
Rio Branco (AC)

(Foto: RBTrans)
“Rio Branco tem a felicidade de ganhar, para 2015, o início da construção de um elevado num ponto de tráfego intenso. Nesta mesma avenida, estamos fazendo um corredor exclusivo para o transporte coletivo, que também trabalhará com a ampliação da rede cicloviária. O Acre é o Estado com maior rede cicloviária do país proporcionalmente, e acabamos de ampliar essa malha. Além disso, temos ampliado a rede do transporte coletivo de modo que a população tem sido contemplada da melhor forma possível.”
Nélio Anastácio, secretário de Mobilidade Urbana de Rio Branco
Salvador (BA)

2015 será um ano de aprofundamento dessa nova forma de pensar a mobilidade e a cidade de Salvador que está sendo empreendida pela atual gestão. Mais espaços compartilhados, ciclovias, linha 2 do metrô, corredor de BRT e muita integração serão as principais entregas para a cidade e uma nova cidadania, germinando brotará
André Fraga, secretário de Cidade Sustentável de Salvador.
Olinda (PE)

Esperamos muita coisa, primeiramente a consolidação da revisão e renovação da rede semafórica da cidade que contava com 65 semáforos eletromecânicos e hoje ja temos uma rede de 90 semáforos todos eletrônicos, com controladores que permitirão a implantação de uma central de controle desta rede. Também esta prevista a implantação de diversos controladores automáticos de velocidade, e de uso indevido das faixas exclusivas de ônibus, além de testes que estão sendo realizados de equipamentos de controles automáticos de programação semafórica e o suo de talões eletrônicos. Também será o ano da elaboração do nosso Plano de Mobilidade que deve ficar pronto até outubro de 2015. Também estamos avançando na implantação de nossa rede ciclovias e ciclofaixas, e queremos dar uma atenção especial as travessias de pedestres, principalmente próximas às escolas. Implantamos a regulamentação do transporte escolar. Deveremos estar lançando a licitação para gestão dos estacionamentos na cidade em caráter rotativo. Com estas e outras ações esperamos que 2015 traga uma melhoria significativa da mobilidade para os olindenses.
Oswaldo Lima Neto, secretário de Transportes e Trânsito de Olinda
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