Zonas 30: reduzindo a velocidade para salvar vidas
Publicado em 28/11/2014
O combate às mortes no trânsito começa pela redução dos limites de velocidade. No sul do Brasil, vem de Florianópolis uma notícia para ser comemorada e replicada: a capital catarinense adota, a partir do dia 7 de dezembro, sua primeira Zona 30.
O local escolhido para implantação do piloto do projeto foi a Lagoa da Conceição, um dos pontos mais famosos da cidade, onde hoje a velocidade máxima permitida é de 60 km/h. O novo limite será aplicado em 1.686 metros de vias da região, garantindo mais segurança a todos que circulam na área, pedestres ou motoristas. E as mudanças não param por aí: a ideia do projeto é que a redução da velocidade venha acompanhada pela requalificação do espaço urbano, com ampliação dos passeios de circulação de pedestres e ciclistas.
O Projeto Zona 30 é o reflexo de um cenário que requer atenção: informações do site da prefeitura de Florianópolis revelam que a taxa de mortes no trânsito de Santa Catarina é três vezes maior do que a de homicídios. A capital catarinense está entre as primeiras capitais brasileiras no ranking de mortes no trânsito em decorrência da alta velocidade e da ingestão de bebidas alcoólicas e, em 2011, registrou média de 19,7 mortes no trânsito a cada 100 mil habitantes – índice mais alto que o de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.
As Zonas 30 nasceram em Buxtehude, na Alemanha, como forma de reduzir os índices de mortalidade no trânsito e criar uma convivência mais harmoniosa entre os modais. Os resultados positivos fizeram com que a medida se espalhasse, e hoje outros exemplos também já podem ser vistos no Brasil.
Em Curitiba, foi inaugurada em julho deste ano a Via Calma (foto), que reduziu a velocidade em um trecho de três quilômetros da Rua Sete de Setembro a fim de permitir o compartilhamento da via por pedestres, ciclistas e motoristas. A capital carioca, por sua vez, é pioneira entre as cidades brasileira na implantação das Zonas 30. Desde 2010, ruas de Copacabana e Ipanema tiveram seus limites de velocidade reduzidos em prol da segurança e da redução dos acidentes fatais. E em São Paulo o projeto Vila a 30 km/h luta para que o limite de velocidade seja respeitado na Vila Madalena.

Via calma em Curitiba, onde ciclistas podem trafegar com segurança. (Foto: Maurilio Cheli/Prefeitura Municipal de Curitiba)
A medida coloca Florianópolis no caminho para a redução de fatalidades no trânsito, fazendo da capital catarinense mais um entre os exemplos nacionais que seguem uma tendência mundial: a redução dos limites de velocidade nas vias urbanas como meio de contribuir para a mitigação do número de mortes. Nova York, por exemplo, anunciou recentemente a lei que estabelece em 40 km/h a velocidade máxima permitida nas ruas da cidade, e Paris tem progressivamente ampliado as áreas de Zona 30, movimento seguido também por outras capitais europeias, como Madri.
Menos velocidade, mais vidas salvas
Essa tendência resulta de um problema mundial que faz novas vítimas a cada ano e exige ser tratado com urgência e prioridade. O trânsito mata 1,3 milhão de pessoas por ano no mundo, o equivalente à queda, sem sobreviventes, de 2,6 mil aviões Boeing. No Brasil, é mais provável morrer em um acidente de trânsito do que em decorrência de um câncer ou mesmo por homicídio.
Reduzir os limites de velocidade é uma necessidade global e um fator chave para a queda do número de mortes em acidentes de trânsito em qualquer cidade. Para entender a lógica – e a importância – da medida, basta analisar a comparação:
• Em uma colisão com um carro a 30 km/h, a chance de sobrevivência do pedestre é de 90%;
• Com o automóvel a 50 km/h, esse índice cai para 15%;
• A uma velocidade de 60 km/h, as chances de o pedestre sair com vida são de apenas 2%.
Em São Paulo e no Rio de Janeiro, por exemplo, as máximas permitidas chegam a 70 km/h – e as cidades registram, respectivamente, taxas de mortalidade de 13 e 15 a cada 100 mil habitantes.
Trabalhando pela segurança nos ambientes urbanos
A Organização Mundial da Saúde alerta que diminuir o limite de velocidade em 5% pode evitar até 30% das fatalidades. A relação é simples: para salvar vidas, é preciso atuar em prol da redução da velocidade dos automóveis nas vias urbanas.
Essa redução, contudo, não pode ser isolada. O caminho que leva a cidades mais seguras para todos passa por etapas que envolvem, também, uma nova maneira de pensar e planejar as ruas. Com o objetivo de qualificar os projetos de mobilidade e incluir a segurança viária entre os elementos por eles contemplados, a EMBARQ Brasil trabalha para criar ambientes urbanos mais seguros por meio de projetos nas áreas de acessibilidade, desenvolvimento urbano e segurança viária.
As Auditorias de Segurança Viária, realizadas em projetos de corredores BRT, avaliam o traçado do corredor, o acesso às estações de ônibus e as sinalizações das vias. A auditoria de segurança propõe alterações de layout no projeto que podem reduzir o número de acidentes e diminuir drasticamente o número de mortes no trânsito – até 40%.
Para aprimorar o trabalho de engenheiros e agentes públicos responsáveis por projetos viários, a EMBARQ Brasil promove cursos de capacitação técnica com enfoque na segurança das vias. Criado para os cursos, o Manual de Segurança Viária traz orientações específicas para os projetos viários que podem resultar em uma redução de mais de 30% dos acidentes.
O Manual para o Desenvolvimento Urbano Orientado ao Transporte Sustentável reúne exemplos de boas práticas adotadas em projetos urbanos que contribuem para criar um ambiente viário mais seguro para todos. Por meio da análise de soluções adotadas em diferentes cidades, o manual traz recomendações de desenho urbano e gestão para a construção de ambientes urbanos seguros e acessíveis.
O projeto de Microacessibilidade no Rio Pinheiros é um estudo desenvolvido para mapear problemas e identificar possíveis soluções nos entornos das estações Berrini, Vila Olímpia e Santo Amaro, da Linha 9 - Esmeralda, da CPTM, em São Paulo.
Redução dos limites de velocidade, cruzamentos desenhados levando em conta a segurança dos pedestres, divisão equilibrada do espaço viário: quando a segurança faz parte do planejamento dos espaços urbanos, sejam vias, calçadas ou corredores de ônibus, é a vida das pessoas que sai na frente.
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