SIMU – Um banco de dados para a mobilidade no Brasil
Publicado em 29/08/2014

A expansão e democratização da internet e das tecnologias digitais trouxeram a crescente demanda por transparência e acesso aos dados da esfera pública. Em se tratando de mobilidade urbana, conhecer os indicadores e números com que lidamos é fundamental para saber o que reivindicar. No Brasil, a Política Nacional de Mobilidade Urbana estabeleceu como atribuição da União organizar e disponibilizar informações sobre a mobilidade e com esse objetivo foi criado o SIMU – Sistema de Informações em Mobilidade Urbana.
A nova ferramenta é pioneira no país e pretende manter uma rede nacional de coleta e disponibilização de dados, oferecendo um verdadeiro “raio-x” da mobilidade urbana brasileira. Quando finalizado, o sistema será aberto para consulta pública em uma plataforma online, mas antes disso faz-se necessária uma intensa coleta de informações nas cidades – dados sobre infraestrutura, acessibilidade, custos, tarifas, instrumentos de gestão, entre vários outros indicadores, como você verá mais adiante.
Canaã dos Carajás, no sudeste paraense, foi escolhida para inaugurar a fase piloto do projeto. Com cerca de 30 mil habitantes e voltada para a exploração de minério de ferro, nos dias 5 e 6 de agosto a cidade recebeu a equipe de técnicos e especialistas que deu início aos testes do SIMU.

Cristina Albuquerque, engenheira de Transportes da EMBARQ Brasil; Martha Martorelli, Aguiar Gonzaga e Marcio Martins, analistas de infraestrutura da SeMob; e Bernardo Serra, coordenador de Políticas Públicas do ITDP Brasil, participaram da reunião em que foram revisados todos os indicadores do sistema e reunidas as informações referentes a cada um deles. No encontro, estavam presentes secretários e técnicos de diversos setores da prefeitura de Canaã dos Carajás, que auxiliaram a equipe na coleta de todos os dados aplicáveis à cidade. Foram os primeiros passos do sistema que representa um avanço na disponibilização de informações à população: “O sistema vai oferecer um diagnóstico da mobilidade urbana nas cidades brasileiras, trata-se de uma ferramenta importante no que diz respeito ao acesso a informação”, comenta Cristina.
Com esse trabalho, o SIMU promete se tornar uma ferramenta significativa tanto para a população, que terá livre acesso a um banco de dados completo sobre a mobilidade no país, quanto para os governos, que encontrarão nesses dados uma referência importante para a formulação de políticas públicas para o setor. “O SIMU vai reunir, em um único lugar e de forma padronizada, os principais dados e informações da área de mobilidade urbana de todas as cidades brasileiras. Vai servir como um observatório público capaz de mapear a realidade específica em cada uma dessas localidades e permitir o monitoramento, em longo prazo, dos investimentos em mobilidade urbana”, explica Daniela Facchini, diretora de Projetos e Operações da EMBARQ Brasil, que também integra o grupo de desenvolvimento do SIMU.
Além de Canaã dos Carajás, outras quatro cidades fazem parte da lista de municípios que realizarão os testes: Itacoatiara (AM), Teresina (PI), Canoas (RS) e Fortaleza (CE). Já as cidades de Pinhão (PR), Votuporanga (SP), Anápolis (GO), Campo Grande (MS) e Belo Horizonte (MG) vão aplicar o piloto de forma independente. Os municípios foram escolhidos levando em consideração as diferentes faixas populacionais e a divisão regional do Brasil. A aplicação dos testes, além de validar os indicadores desenvolvidos para a plataforma, servirá como forma de registrar as dificuldades que eventualmente sejam encontradas pelas cidades durante a coleta dos dados.
Saiba mais Em desenvolvimento pelo Ministério das Cidades, o SIMU é o resultado do artigo 16 da Lei da Mobilidade Urbana, que define, entre as atribuições da União, a organização e disponibilização de informações sobre a mobilidade no país, bem como a respeito da qualidade e produtividade dos serviços de transporte coletivo. O objetivo é que a ferramenta seja uma referência nacional para a formulação de políticas públicas e investimentos na área de mobilidade urbana.
A EMBARQ Brasil, parceira do Ministério, integra a equipe que vem trabalhando desde dezembro de 2012 na organização dos indicadores que compõem a plataforma. Também estão nesse grupo a Associação Nacional dos Transportadores Públicos (ANTP), a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) e o ITDP Brasil.
Ao todo, são 14 blocos de indicadores para avaliar os diferentes aspectos dos sistemas de mobilidade:
- Modos, serviços e infraestruturas
- Acessibilidade
- Custos e tarifa
- Planejamento da mobilidade urbana
- Instrumentos de gestão
- Meio ambiente
- Gestão democrática
- Qualidade do serviço
- Segurança
- Gestão institucional
- Regulação dos serviços
- Financiamento e investimentos em infraestrutura
- Capacitação
- Desenvolvimento tecnológico e científico