Projeto de BRT avança em São José dos Campos

Publicado em 29/08/2014

(Foto: Filipe Costódio/EMBARQ Brasil)

A cidade de São José dos Campos, no interior de São Paulo, tem 600 mil habitantes e uma frota aproximada de 300 mil veículos, ou seja, um veículo para cada dois habitantes (Censo 2010). A pesquisa Origem Destino, realizada no município em 2011, mostra que a maioria das viagens é realizada de automóvel (44%), seguida pelo transporte de passageiros (27%) e pelas viagens a pé (23%).

A preferência pelo modelo de transporte individual levou a prefeitura a buscar alternativas para tentar conter o aumento de veículos particulares e ampliar a oferta de transporte público na cidade. Para isso, São José dos Campos dispõe de uma verba de 800 milhões de reais do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC 2 Médias Cidades. A proposta inicial de implantar um VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos) foi substituída, no ano passado, por um sistema BRT (Bus Rapid Transit), projeto que será finalizado até dezembro e entregue ao governo federal junto ao Plano de Mobilidade do município.

O primeiro workshop A Caminho do Plano de Mobilidade Urbana selou a parceria entre São José dos Campos e a EMBARQ Brasil, com a assinatura do Termo de Cooperação Técnica. Neste mês, um novo encontro serviu para o governo definir o cronograma e as diretrizes na implantação do sistema BRT e garantiu as próximas etapas do projeto – que prevê 51 km de faixas exclusivas, 86 estações e novos terminais de integração. “Nosso município foi um dos que tiveram o maior volume de recursos liberado de todo o país. Além disso, esse projeto é extremamente audacioso e vai mudar a cara da nossa cidade”, destaca o secretário de Governo de São José dos Campos, Wagner Balieiro.

O programa desenvolvido pela EMBARQ Brasil tem auxiliado as cidades e gestores municipais na elaboração dos seus planos de mobilidade urbana sustentável. “São José dos Campos está com um projeto que pode atingir um resultado espetacular. O legal dessa história é que o dinheiro já está disponível e o município está pensando em investir em transporte coletivo, fundamentalmente. Algumas cidades pretendem utilizar a verba do PAC somente para a construção de viadutos e alargamento de vias”, salienta o diretor-presidente da EMBARQ Brasil, Luis Antonio Lindau, que conduziu uma apresentação para um plateia de mais de 90 pessoas no último dia 21.

De acordo com o Instituto de Pesquisa, Administração e Planejamento de São José dos Campos (IPPLAN), o atual sistema de transporte municipal carece de integração com os demais modos de deslocamento, como bicicletas e veículos motorizados individuais. Com a reestruturação do sistema e implantação do BRT, a integração do novo sistema de ônibus com os demais modos de deslocamento devem aumentar a mobilidade da população. “A cidade tem um território bastante fragmentado, sendo ocupado em sua maior parte por áreas de proteção ambiental [52%] e também pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial e por uma refinaria da Petrobrás. Além disso, São José dos Campos é praticamente cortada ao meio pela rodovia Dutra. Tudo isso exige um estudo detalhado de urbanização e ampliação da oferta de transporte”, explica o chefe da Divisão de Planejamento de Transportes, João Pedro Saraçol.

A preocupação agora é garantir o atendimento aos novos empreendimentos imobiliários de baixa renda já aprovados ou que estão em fase de aprovação dentro do município. O programa Minha Casa, Minha Vida é um deles. Para atender a população nas áreas mais distantes do centro, a prefeitura cogita iniciar o primeiro trecho de BRT saindo da zona leste, onde estão localizados esses empreendimentos, seguindo em direção ao centro. “Vamos fazer uma transformação da política de mobilidade do município de deixar um legado muito importante para a população”, reforça o secretário municipal de Transportes, Luiz Marcelo Santos.

(Foto: Filipe Costódio/EMBARQ Brasil)

Raio X do BRT A proposta para o sistema BRT joseense prevê sete eixos-principais nas avenidas Pedro Friggi (zona leste), Andrômeda (zona sul), Estrada Velha (zona sul), Astronautas (zona sudeste) e em regiões como Santana (zona norte) e Centro (com dois corredores na região central). Além das vias, a obra contemplará transposições sobre a rodovia Dutra. O valor total disponível para o projeto é de 842 milhões de reais, sendo 800 milhões de reais financiados pelo PAC 2 – Médias Cidades e os outros 42 milhões de reais garantidos pela prefeitura. O sistema deverá contar com monitoramento dos ônibus por GPS, semáforos inteligentes com passagem exclusivas para os coletivos, integração do sistema de transporte público e informação em tempo real para o usuário.

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