A Copa da mobilidade
Publicado em 30/06/2014

Depois de tantas incertezas, o Brasil vive hoje o aguardado 2014. A fusão do maior evento esportivo do gênero com o país do futebol gerou expectativas e tensões, mas vem enchendo as ruas de alegria, movimento e misturas culturais – sendo já considerada “A Copa das Copas”. Além da interação, o torneio propiciou que o debate sobre um antigo protagonista das cidades brasileiras voltasse ao jogo: a mobilidade urbana.
Por décadas, o investimento em mobilidade no Brasil foi concentrado no automóvel – o que contribuiu para congestionamentos quilométricos, poluição do ar e mais acidentes. Só em 2012, 44 mil pessoas perderam a vida no trânsito no país. Hoje a perspectiva é outra. A Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU), sancionada em 2012, foi um passo importante em busca de qualificação à mobilidade. A lei dá prioridade aos transportes não-motorizado e público, reduzindo a circulação desmedida do carro.
Somado à nova legislação, o Governo Federal disponibilizou R$ 93 bilhões a projetos de mobilidade urbana que, acrescidos aos R$ 50 bilhões do Pacto da Mobilidade Urbana, totalizam R$ 143 bilhões de recursos disponíveis para o setor a cidades da Copa e àquelas com mais de 250 mil habitantes. Até agora, um total de R$ 90 bilhões já foram comprometidos a projetos que transformaram ou vão transformar a vida de milhões de brasileiros.
Escalação nas ruas
De acordo com a última atualização da Matriz de Responsabilidade da Copa, 18 projetos voltados à qualificação do transporte por ônibus coletivo ficaram com inauguração prevista para antes dos jogos: 11 sistemas BRT, cinco corredores de faixas exclusivas e duas requalificações de corredores já existentes. Conseguiram sair do papel a tempo da Copa 11 destes projetos que hoje estão servindo às demandas dos jogos, como temos observado em Recife, Belo Horizonte, Rio e Curitiba.


Mas o gol mais importante é a favor da população residente. “Algumas linhas desses novos sistemas foram criadas para alimentar o estádio durante os jogos da Copa, mas sua relevância transcende a este fator, com impactos positivos que irão durar para sempre, começando pela redução do tempo nos deslocamentos”, explica Luis Antonio Lindau, diretor-presidente da EMBARQ Brasil.
Alguns sistemas já conseguiram reduzir pela metade o tempo de viagem média em regiões de cidades populosas como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. A EMBARQ Brasil faz parte dessa vitória. Vestiu a camisa e prestou auxílio técnico na execução dos seguintes projetos:
BRTs do Rio
TransOeste: o primeiro corredor BRT inaugurado no Rio, em 2012. Liga a Barra da Tijuca a Santa Cruz e Campo Grande, com 56 km de extensão e 64 estações. O sistema reduziu pela metade o tempo médio de viagem no trecho e já conquistou 90% de aprovação dos usuários. Saiba mais sobre o TransOeste.
TransCarioca: financiado com recursos do PAC Copa, o BRT TransCarioca liga a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional Tom Jobim. É o primeiro corredor de alta capacidade no sentido transversal da cidade numa faixa segregada de 39 km de extensão. Deverá beneficiar 450 mil pessoas por dia, sendo já considerado o maior legado de mobilidade da cidade do Rio. Saiba mais sobre o TransCarioca.
MOVE de Belo Horizonte
MOVE Cristiano Machado: o primeiro corredor BRT inaugurado na capital mineira conecta a região central à estação São Gabriel, ao longo de 7,1 km. A redução em relação ao tempo de viagem atual é de 15 minutos (43%), beneficiando cerca de 300 mil passageiros diariamente quando a operação estiver completa. Saiba mais sobre o MOVE Cristiano Machado.
MOVE Antônio Carlos: o segundo corredor BRT da cidade conecta o centro à região da Pampulha, próxima ao Mineirão, estádio que recebe os jogos da Copa. Quando completo, terá uma extensão total de 14,7 km e deverá beneficiar cerca de 400 mil passageiros por dia, ao diminuir o tempo de viagem em 35 minutos (47% em relação ao tempo atual). Saiba mais sobre o MOVE Antônio Carlos.
BRT de Brasília
Expresso DF Sul: o primeiro corredor do sistema BRT da capital federal liga Brasília às cidades satélites de Gama e Santa Maria. A previsão é de que o corredor seja utilizado por 220 mil passageiros todos os dias. Um grande benefício para os usuários é o ganho de tempo, com a redução de 90 para 40 minutos na viagem. Saiba mais sobre o Expresso DF Sul.
A mobilidade depois da Copa
Embora alguns projetos tenham sido excluídos da Matriz de Responsabilidade da Copa, por apresentarem atrasos no cronograma de obras ou problemas técnicos, uma avaliação do Ministério das Cidades pediu que as propostas sejam readequadas, para inseri-las em outros programas governamentais. Dessa forma, todas as obras inicialmente previstas serão executadas e concluídas, e a sociedade poderá usufruir de sistemas de transporte público de qualidade em um futuro breve.

Do PAC ao Plano de Mobilidade
Com base na Política Nacional de Mobilidade Urbana, o projeto desenvolvido pela EMBARQ Brasil auxilia cidades brasileiras de médio porte (acima de 250 mil habitantes) a aperfeiçoar seus projetos do PAC e integrá-los aos planos de mobilidade urbana que estão sendo elaborados. Ao investir na qualificação de planos e projetos, a cidade torna as opções de transportes não motorizado e público ainda mais atrativas aos seus habitantes, fomentando a sustentabilidade.
A EMBARQ Brasil aposta na disseminação das melhores práticas mundiais e na discussão em grupos formados por diversas organizações locais. Dessa forma, é estimulada a colaboração entre as instituições envolvidas com os projetos e a participação popular na elaboração do plano. O projeto conta com o apoio da LARCI Brasil (Iniciativa Clima para América Latina) e da Fundação Alcoa.
Veja as cidades que já receberam o “Do PAC ao Plano”:
- Joinville (SC), maio 2014
- Juiz de Fora (MG), fevereiro 2014
- Macapá (AP), julho 2013
- Pelotas (RS), maio 2013