Fit Cities São Paulo: como criar cidades mais saudáveis

Novas formas de pensar o espaço para pedestres. Essa é a ideia do encontro Fit Cities, que aconteceu nos dias 15 e 16 de abril, em São Paulo, com a proposta de disseminar soluções inteligentes de desenho urbano voltadas ao bem-estar da população. O encontro foi organizado pela USP Cidades e Instituto Cidade Ativa, com apoio da EMBARQ Brasil.
Muitos dos casos de doenças cardiovasculares, que lideram o ranking das causas de morte no mundo, matando 17 milhões por ano de acordo com a OMS, são decorrentes do estilo de vida que levamos hoje nas áreas urbanas. Pressa, poluição, estresse, má alimentação e pouca ou nenhuma atividade física fazem parte da vida de milhões de pessoas. O que nossas cidades têm a ver com isso? Como uma cidade pode contribuir para que a população desenvolva um estilo de vida mais saudável? O design urbano, a maneira como as cidades são pensadas, influencia significativamente o modo de vida das pessoas, e soluções inteligentes nesse setor podem ajudar a mudar os hábitos da população.
As atividades do evento, que contou com a participação de especialistas de diversas áreas e instituições, envolveram um Safári Urbano com alunos e profissionais de arquitetura, além das palestras de Skye Duncan, do Departamento de Planejamento de Nova York, e das especialistas da EMBARQ Brasil, Paula Santos Rocha e Lara Caccia.

A coordenadora de Projetos de Transporte da EMBARQ Brasil, Paula Santos Rocha, e a especialista em Desenvolvimento Urbano, Lara Caccia, apresentaram o projeto Microacessibilidade do Rio Pinheiros, desenvolvido por meio da plataforma colaborativa Conexões do Rio Pinheiros – uma iniciativa do WRI Brasil em parceria com a EMBARQ Brasil financiada pela Fundação Caterpillar.
A região escolhida para o desenvolvimento do projeto foi o entorno da estação Berrini da CPTM, onde há grande fluxo de pessoas nos horários de pico. Cerca de 40 alunos e profissionais de arquitetura saíram às ruas na tarde do dia 15 de abril para a aplicação da metodologia de análise desenvolvida em Nova York. Divididos em cinco grupos, os participantes avaliaram calçadas, fachadas de edifícios e sinalizações para pedestres, entre outros elementos.

“Ações simples como a implantação de semáforos e a priorização dos pedestres tornariam o passeio mais seguro e agradável às pessoas”, declarou Lara ao apresentar vídeos de situações de risco vividas diariamente na região. “Hoje os participantes foram agentes ativos do projeto. Os dados colhidos no Safári Urbano vão auxiliar na elaboração do projeto básico que está sendo desenvolvido pela plataforma colaborativa”, lembrou Paula.
Cidade Ativa
De acordo com pesquisa feita pelo IBGE em 2010 e divulgada em 2012, o sedentarismo, um dos principais fatores associados a doenças cardiovasculares, chega a atingir 80% dos brasileiros. O sedentarismo nas cidades, somado aos maus hábitos alimentares, levou a um aumento significativo das chamadas “doenças de desequilíbrio energético” – como diabetes, câncer e problemas cardiovasculares, sendo as duas últimas responsáveis por 74% das mortes dos brasileiros.
O Instituto Cidade Ativa trabalha para promover o movimento Active Design nas cidades brasileiras, a fim de criar transformações no ambiente urbano que incentivem um estilo de vida mais ativo e saudável. Formado por especialistas das áreas de saúde, arquitetura, desenho e planejamento urbano, o grupo também participou do Fit Cities.
Skye Duncan, que ajudou a tornar Nova York uma referência na atenção ao pedestre por meio do conceito Active Design, falou sobre os males decorrentes do sedentarismo e de maus hábitos alimentares e de como essas questões são influenciadas pela forma como as cidades foram construídas: “O modo como vivemos nas nossas cidades influencia diretamente para que essas doenças aumentem. A maioria das nossas cidades foi construída sem sequer dar chance para o pedestre. Sem calçadas, sem locais apropriados para as pessoas. Isso as forçou a andar de carro ou ir para o meio da rua. É hora de mudar”.

Sobre o movimento Active Design
O movimento teve início nos Estados Unidos com o objetivo de promover hábitos saudáveis e um estilo de vida mais ativo a partir do desenho urbano e de políticas públicas nas áreas de planejamento, construção e saúde. As diretrizes defendidas pelo Active Design foram consagradas com a publicação do Active Design Guidelines, desenvolvida pelos Departamentos de Planejamento, Construção, Transporte e Saúde da cidade de Nova York.
O Center For Active Design é uma entidade sem fins lucrativos para arquitetos, urbanistas, políticos, promotores imobiliários e cidadãos, empenhada em promover e ampliar o papel da arquitetura e do urbanismo na melhoria da saúde pública e do bem-estar. Em conjunto com o American Institute of Architects (AIA) e com governos locais de diversas cidades dos Estados Unidos, o movimento vem ganhando força por meio de eventos anuais. Desde 2011, o conceito ganhou relevância mundial através dos encontros Fit World e passou a reunir profissionais de todo o mundo em iniciativas que propõem uma nova maneira de pensar as cidades e a saúde das pessoas. O Instituto Cidade Ativa foi criado para trazer ao Brasil a experiência norte-americana.