Iniciativas para salvar o pedestre

O trânsito é a oitava causa de mortes no mundo, aponta a Organização Mundial da Saúde (OMS), interrompendo 1,24 milhão de vidas a cada ano. Os pedestres representam 22% das fatalidades, mas, mesmo sendo os mais vulneráveis deste cenário, ainda são os mais negligenciados em termos de infraestrutura e políticas públicas que garantam sua segurança.
Pensando nas pessoas como protagonistas das cidades, a OMS elaborou a cartilha “ Segurança para Pedestres”. O documento traz dados globais e as melhores práticas a serem aplicadas como parte dos esforços para reduzir lesões e mortes no trânsito. Gestores públicos e técnicos da área são o público-alvo da cartilha que abrange elementos como engenharia de trânsito, fiscalização, legislação e medidas de conscientização.
Por definição, segundo o documento:
“O pedestre é qualquer pessoa andando a pé em pelo menos parte de sua jornada. Além da forma comum de andar, um pedestre pode estar usando diversas formas modificadas e auxiliares, como cadeira de rodas, patinetes motorizados, andadores, bengaladas, skates e patins [...]”
A maior parte dos deslocamentos no país é feita a pé. Em 2011, os pedestres realizaram 58.009 milhões de viagens, contra 18.951 milhões de deslocamentos feitos por transporte individual motorizado, de acordo com relatório da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos). O Global Status Report on Road Safety 2013, também da OMS, demonstra a divisão das fatalidades de trânsito por modal no Brasil:

Fatores de risco
Cerca de 270.000 pessoas, ou 23% das vítimas de trânsito no Brasil, são pedestres. O índice, que já é alarmante, seria ainda maior se os sistemas de coleta das estatísticas oficiais fossem mais eficientes, considerando também quedas e tropeços, por exemplo.
Mas por que isso acontece? Entre os fatores de risco identificados pelo manual Segurança para Pedestres estão: velocidade, álcool e direção, e falta de estrutura viária. Sobre este último, ressalta-se que o risco de acidente aumenta quando o projeto viário falha no planejamento de calçadas, cruzamentos, mecanismos de separação dos pedestres e carros, visibilidade de faixas de pedestres e iluminação adequada.
"Em todo o mundo, mais de 5.000 pedestres morrem nas vias a cada semana. Isso ocorre porque as suas necessidades vêm sendo negligenciadas por décadas, muitas vezes em favor do transporte motorizado. Precisamos repensar a forma como organizamos os nossos sistemas de transporte para tornar o caminhar seguro e salvar as vidas dos pedestres." Dr. Etienne Krug, diretor do Departamento de Prevenção da Violência e Lesão e Incapacitações da OMS.
A fim de criar condições mais favoráveis aos pedestres, a cartilha apresenta as melhores práticas, baseadas em estudos globais, que podem ser adaptadas a todas as realidades. A publicação foi traduzida para o português pela Organização Pan-Americana da Saúde, o escritório da OMS na América Latina. Acesse aqui o manual completo.

Iniciativas
Aqui no Brasil, algumas iniciativas alertam para a falta de segurança nas vias. Confira:
Cadê a faixa que estava aqui?
No último Dia do Pedestre, em 8 de agosto, o Greenpeace fez uma intervenção chamando a atenção de motoristas e gestão pública para cobrar mais segurança às pessoas à pé. O grupo pintou faixas pontilhadas onde deveria existir uma faixa de segurança com a pergunta “Cadê a faixa que estava aqui?”. Saiba mais.

Sua Majestade, o Pedestre
Uma campanha intitulada “Sua Majestade, o Pedestre”, coroava aqueles que atravessavam na faixa de segurança. A ação foi realizada pelo Ministério das Cidades em Brasília, durante a 2ª Semana Global de Segurança do Pedestre da ONU. O conceito era simples: “O respeito ao pedestre tem que ser soberano, afinal somos todos pedestres. Vida longa a Sua Majestade”. Saiba mais e assista ao vídeo abaixo:
The Long Short Walk
Em todo o mundo, pessoas a instituições estão se unindo pelo movimento The Long Short Walk por uma grande causa: a segurança do pedestre. A iniciativa consiste em reunir caminhadas ao redor do mundo que serão compiladas em um vídeo alertando para uma conscientização global sobre a questão. A equipe da EMBARQ Brasil aderiu ao movimento, que faz parte da Década de Ação pela Segurança Viária da ONU (Organização das Nações Unidas). Saiba mais.
