Rene Silva: a voz alta do Complexo do Alemão

Em visita à EMBARQ Brasil, o jovem editor conta que, atualmente, uma equipe de 15 voluntários atualiza o portal. “São jovens que trabalham pelo menos 4 horas por dia para registrar as histórias do Alemão. Ainda temos muito o que falar e receber de informação das pessoas, pois não atingimos 100% da comunidade. Mas temos contato direto com representantes de associações de moradores, ONGs, amigos, pessoas que moram em locais bons e ruins. Estas pessoas acabam sendo nosso contato de referência para produzirmos conteúdos”, explica Rene, que recentemente teve sua história contada no livro “A voz do Alemão”, pela jornalista Sabrina Abreu.

Entre as principais reivindicações da comunidade estão obras de saneamento básico e infraestrutura. “As ruas esburacadas, os esgotos a céu aberto, as calçadas em péssimo estado são problemas seríssimos que acabam virando parte do ambiente. Os moradores se acostumam, acham normal não ter solução por parte do governo. Então nós surgimos para mostrar que isso não é normal e deve ser mudado, temos que cobrar nosso direito”, afirma com convicção.
Rene também não está satisfeito com o Teleférico do Complexo do Alemão, que atrai muitos turistas, mas não tem uma aderência significativa por parte dos moradores. “O teleférico transporta cerca de 8 a 10 mil pessoas por dia. A expectativa do projeto inicial era atingir 70% da comunidade, mas não atinge nem 10%, pois o teleférico beneficia as pessoas que moram no alto dos morros. Para as pessoas que moram na entrada da favela, lá embaixo, ou em zonas menos íngremes não compensa”, comenta Rene.
De acordo com o jovem editor, o governo não oferece alternativas rápidas, confortáveis e baratas para deslocamento, o que acaba deixando a população sem opções. “Existem meios alternativos que também estão legalizados agora, como o caso das kombis que circulam na comunidade. Então parece uma solução: melhorar os meios de transporte que já estão presentes, como também é o caso da regularização dos moto-táxis, que ainda é polêmica, mas são utilizados em diversas áreas do Rio, não apenas nas favelas”, diz.

A questão dos espaços de convívio também é uma preocupação para Rene, que observa dia-a-dia a influência que podem ter na relação das pessoas com seu bairro. “A situação está complicada. As ruas precisam ter mais espaço. Hoje podemos compará-las a becos de tão estreitas. Às vezes não é possível passar dois carros ao mesmo tempo e as pessoas precisam se espremer”, conta.
Mas tudo indica que a situação deve melhor. Atualmente, o governo está implementando uma biblioteca parque no Complexo do Alemão, com espaço dedicado para leitura, atividades esportivas e acesso a computadores. Tudo por mais integração da comunidade com o ambiente urbano.
“É uma ação importante criada pela Secretaria de Cultura do Estado. É um projeto diferente, pois o processo de criação não é feito somente para a favela, e sim com a favela, com as pessoas. Os moradores participam das reuniões, escolhem o melhor local para realizar as atividades e debatem como pode ser feito. Acho muito importante este processo pois não é um projeto generalista, que servirá a vários lugares, é pensado localmente de acordo com as necessidades de cada comunidade”, vibra Rene com brilho nos olhos.