Ações estimulam a atividade física entre os brasileiros

A atividade física está cada vez menos presente na vida dos brasileiros, especialmente nas crianças. Diante disso, é importante saber qual o papel do transporte e do espaço urbano na transformação desta realidade. (Foto: Shutterstock)

Pela primeira vez na história, a expectativa de vida das novas gerações será, em média, cinco anos menor. O problema é grave, mas a solução é simples e se resume em duas palavras: atividade física. O Brasil está correndo, mas na direção do sedentarismo. De acordo com o IBGE, 80% da população não se exercita. Em apenas meia década, o nível de atividade física caiu mais de 5%. Se a tendência continuar, em 2030 seremos 34,1% menos ativos, resultando em inúmeros prejuízos físicos, sociais e econômicos. Os dados são do relatório Desenhado para o Movimento, da Nike, que busca entender as razões, as consequências e as soluções para a inatividade, que está virando uma epidemia global.

Em 2008, por exemplo, foram gastos quase R$ 28 bilhões em serviços de saúde no país, decorrentes do sedentarismo – o equivalente à metade do orçamento anual para o ensino fundamental. Se a situação não mudar, esse valor vai engordar 182%. Além do fator econômico, existe o risco para a saúde. Ficar parado, sem exercícios regulares, pode aumentar a incidência de doenças cardiovasculares, síndromes metabólicas, depressão e até câncer. Vulneráveis a estes problemas, os sedentários perdem potencial e capital humano – conjunto de fatores que levam ao sucesso e bem estar pessoal. Quem se movimenta desenvolve seus atributos físico, emocional, social, intelectual, e financeiro.

Diante deste cenário, cabe destacar o papel-chave que a mobilidade e o espaço público exercem na construção de um futuro mais saudável e promissor para os brasileiros.

Uma pesquisa da rede EMBARQ aponta que usuários de transporte coletivo fazem mais atividades físicas do que aquelas que andam de carro. O exemplo da Rússia ilustra bem a questão: em 2030, os russos serão 97% mais sedentários, ao mesmo tempo que é o país cujo consumo de carros mais cresce no mundo, ultrapassando os 2,9 milhões de veículos vendidos em 2012. Outro estudo que segue essa linha, da Secretaria da Saúde de Nova York, concluiu que pessoas que têm no transporte coletivo, na bicicleta e na caminhada o seu principal meio de locomoção fazem mais atividade física do que quem utiliza o automóvel, evitando as 3,2 milhões de mortes por ano em razão do sedentarismo, conforme a Organização Mundial da Saúde. Os dados estão na publicação Saúde e Segurança Viária: Uma Visão de Futuro, da EMBARQ Brasil.

Em resposta ao sedentarismo, organizações públicas e privadas já estão colocando em prática uma série de ações em prol de pessoas mais ativas e cidades mais saudáveis. Conheça abaixo algumas iniciativas de destaque:

Desenhado para o Movimento

Lançada esta semana pela Nike, Desenhado para o Movimento é uma plataforma composta por diversas organizações que vão destinar até US$ 16 milhões em recursos por três anos para combater o sedentarismo. Com foco em crianças de até dez anos de idade, a estratégia é introduzir a atividade física como um hábito, formando adultos mais ativos e saudáveis. O anúncio foi feito no último dia 9, durante a Clinton Global Initiative no Rio de Janeiro, pelo CEO da Nike, Mark Parker, ao lado de Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos.

A verba será destinada à criação de experiências positivas nos esportes e no incentivo ao movimento como hábito diário. Parte dos esforços vão se concentrar no projeto piloto Escolas Ativas no Brasil, que fornecerá informações e ferramentas simples para ajudar as escolas e comunidades a desenvolverem ambientes ativos para as crianças.

Segundo o relatório, o período entre infância e adolescência é crucial na formação de preferências, motivações e habilidades motoras. Basicamente, funções vitais como sistema cerebral, cardiovascular e fortalecimento ósseo se desenvolvem nesta fase. Os dados também mostram que crianças sedentárias faltam duas vezes mais do que as outras; têm notas mais baixas e ganharão menos no trabalho. O sedentarismo desde cedo também causa 5,3 milhões de mortes prematuras no mundo. Por isso, o projeto acredita que uma criança ativa continuará ativa – e se tornará um adulto mais feliz e saudável.

Acesse o site oficial e saiba mais.

Entre os integrantes do Desenhado para o Movimento estão setor privado, órgãos governamentais, organizações e agências multilaterais. A rede EMBARQ é parceira da iniciativa. (Conheça todos os participantes.)

Crianças a bordo de transporte coletivo em São Paulo. Os mais sedentários da América Latina, nossos pequenos estão perdendo qualidade e expectativa de vida. (Foto: Clayton Lane/EMBARQ)

Bicicletários EMBARQ Brasil

O incentivo à bicicleta é fundamental como forma de racionalizar o trânsito, emitir menos gases de efeito estufa e contribuir para a saúde dos cidadãos. Porém, é preciso ter infraestrutura adequada, como ciclovias e estacionamentos e paraciclos seguros para que o ciclista se sinta confortável em utilizá-la. A EMBARQ Brasil oferece assessoria técnica a instituições e empreendimentos comerciais interessados em instalar a estrutura. O objetivo é facilitar o uso da bicicleta, pois pesquisas mostram que a falta de locais seguros e adequados para estacionar inibe o ciclismo.

Em Porto Alegre, a EMBARQ Brasil já auxiliou a implantação de cinco bicicletários. Conheça-os aqui.

O Bicicletário em frente ao Banco Santander, no centro de Porto Alegre, uma parceria com a EMBARQ Brasil. (Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil)

Move Brasil

Pesquisa do IBGE divulgada no ano passado revela que 80% da população é sedentária. De olho nisso, o MOVE Brasil quer colocar os brasileiros pra se mexer, conscientizando-os sobre a importância da prática de atividades físicas em todas as idades. A ideia é contagiar o maior número de pessoas até 2016, para que descubram as vantagens de se movimentar e percebam que, além de melhorar a qualidade de vida, a atividade física promove o desenvolvimento social.

Uma das frentes é a campanha nas redes sociais, com dicas de como incorporar o movimento ao dia-a-dia, como esta abaixo:

Nos próximos anos, os parceiros da campanha – Serviço Social do Comércio (Sesc), Ministério do Esporte, Ministério da Saúde, Associação Cristã de Moços (ACM/YMCA), Atletas pelo Brasil, Autoridade Pública Olímpica (APO) e Associação Internacional de Esporte e Cultura (ISCA) – realizarão ações estimulando a prática de atividade física e o desenvolvimento social. Saiba mais.

Sinfonia coletiva

O ambiente urbano é um ponto-chave na tomada de decisão sobre se movimentar ou não. Com um pouco de criatividade, é possível torná-lo mais útil e atraente para as pessoas. Em São Paulo, o SESC e a CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos encontraram uma maneira divertida de estimular a interação e o exercício: uma escada-piano na estação de Osasco.

Os degraus viraram teclas de um piano, coletivamente orquestradas por quem as pisava. Como resultado, música, sorrisos e atividade física. A intervenção foi inspirada num projeto que aconteceu na Suécia, onde houve um aumento de 66% no número de pessoas que optaram pela escada fixa em vez da rolante após a ação.

Escada piano: criatividade e estímulo ao movimento. (Foto:Eduardo Knapp/Folhapress)

Bike sharing

Políticas públicas em prol do transporte ativo também são estratégicas para reverter o cenário do sedentarismo no Brasil. Um exemplo é o projeto Bike Samba, das famosas bicicletas “laranjinhas” que estão conquistando a simpatia das pessoas. Em cerca de dois anos de existência no país, o sistema já está presente em 15 cidades e contabiliza milhões de viagens sobre duas rodas. O acesso ao serviço é bem democrático. Basta fazer o cadastro no site, comprar o passe mensal (R$10) ou diário (R$5) e sair pedalando.

O sistema bike sharing Bike Samba está presente em 15 cidades do Brasil. (Foto: Mariana Gil/EMBARQ Brasil)

Fique Ligado

Newsletter

Inscreva-se para receber a newsletter do WRI Brasil Cidades Sustentáveis.

Increver-se