Passo a Passo para a Construção de um Plano de Mobilidade Corporativa

As políticas de incentivos adotadas por empresas desempenham um importante papel na forma como o funcionário se desloca ao trabalho, tanto em relação ao meio de transporte quanto ao horário escolhido. Um Plano de Mobilidade Corporativa é composto por medidas integradas para promover deslocamentos mais sustentáveis e trazer benefícios para a organização, seus funcionários e a região. Ao trazer orientações e diretrizes para a produção de um Plano de Mobilidade Corporativa, a publicação desenvolvida pelo WRI Brasil Cidades Sustentáveis tem o objetivo de estimular uma ação coordenada e conjunta entre funcionários e gestores, a fim de melhorar a mobilidade nas cidades. A responsabilidade pela busca e implantação de soluções para melhorar a qualidade de vida nas cidades é de todos.

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Introdução

Por muitos anos, cidades centraram a solução para os problemas da mobilidade urbana na construção de novas infraestruturas (viadutos, pontes e alargamento de vias) para aumentar a capacidade viária e, assim, acomodar o crescente número de automóveis. Buscavam resolver congestionamentos através da maior oferta de espaço viário. Contudo, a prática acabou por incentivar a motorização e a maior dependência do automóvel (2).

Os congestionamentos, o consumo de energia, as emissões de carbono, a poluição do ar, os acidentes de trânsito e a segregação de comunidades decorrentes do estímulo ao uso do automóvel geram custos que podem atingir até 10% do PIB das cidades (3). Esses custos não afetam apenas o poder público, mas também as pessoas e o setor corporativo. O que muitas vezes não se percebe é que as organizações também possuem um papel fundamental na solução dos problemas relacionados ao transporte.

Nas grandes cidades brasileiras, aproximadamente 50% de todos os deslocamentos realizados diariamente têm como motivo o trabalho (4, 5, 6, 7, 8, 9, 10). O tempo despendido nesses trajetos consome de 10 a 15 dias por ano de cada funcionário (11). Uma das principais causas para essa elevada perda de tempo é o fato de a maioria das instituições contar com uma jornada de trabalho com horários coincidentes de início e término. Outro agravante deve-se à maior parte dos automóveis estar ocupada por uma única pessoa. Isso não só gera congestionamentos nos acessos e entornos dos locais de trabalho, como requer uma maior oferta de vagas de estacionamento, que têm um alto custo de construção e manutenção. Por fim, também devem ser considerados os impactos ambientais, pois 47% das emissões de CO 2 eq do setor de energia no Brasil são provenientes do transporte (13).

Para reverter esse cenário, a tendência mundial é introduzir políticas de Gestão da Demanda de Viagens (GDV, do inglês Transport Demand Management, TDM) na cultura das instituições. A gestão da demanda de viagens visa racionalizar o uso do automóvel e, assim, beneficiar funcionários, a cidade e as próprias organizações. Embora as organizações, de maneira geral, não controlem a forma como seus funcionários viajam ao trabalho, elas podem estimular a mudança de hábitos de deslocamento ao prover informações e incentivos para o uso de meios de transporte mais sustentáveis e eficientes em relação ao automóvel.

Apesar de ser um tema ainda incipiente no Brasil, GDV já é largamente difundido em outros países. Não por acaso, 90% das organizações relacionadas pela Revista Fortune como 100 Best Places to Work 2014 possuem uma política de mobilidade corporativa em vigor (14). O objetivo da presente publicação é guiar organizações interessadas, de todos os tamanhos e áreas de atuação, na construção de um plano de mobilidade corporativa.

O método desenvolvido pela EMBARQ Brasil é o primeiro do gênero no país. Ele está fundamentado nas experiências de guias dos Estados Unidos (15, 16, 17), Canadá (18, 19), Reino Unido (20, 21, 22, 23, 24), Irlanda (25, 26), Austrália (27, 28), Nova Zelândia (29) e Colômbia (30), além de incluir as lições aprendidas no projeto-piloto de mobilidade corporativa aplicado pela instituição em São Paulo (31, 32). O estudo também considera conceituadas publicações sobre o desenvolvimento de planos de mobilidade urbana para cidades (33, 34, 35, 36).

O método proposto apresenta, sob a forma de um passo a passo, um conjunto de ações coordenadas que precisam ser desenvolvidas para a construção de um plano de mobilidade corporativa. O roteiro compreende sete passos principais e suas respectivas atividades, com tarefas específicas a serem executadas. O método prevê a organização do trabalho desde o seu ponto inicial (preparação), quando se tomam as primeiras medidas que servem de base para todo o processo, até as providências para a sua retroalimentação após implementadas as ações (monitoramento e revisão), já que o plano deve evoluir ao longo do tempo.

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