O Desenho de Cidades Seguras

Diretrizes e Exemplos para Promover a Segurança Viária a partir do Desenho Urbano

A publicação O Desenho de Cidades Seguras trata de temas como: a melhoria no desenho urbano com o intuito de ampliar espaços para o pedestre; a redução de velocidade dos veículos, que ameaça todos os usuários das vias; a promoção de espaços públicos de alta qualidade para pedestres e ciclistas e a melhoria no acesso ao transporte coletivo.

No WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis, acreditamos que tornar as viagens urbanas mais seguras não tem a ver só com a saúde, mas também com a qualidade de vida e com a criação de cidades sustentáveis, competitivas, igualitárias e inteligentes. Prover uma infraestrutura segura e cômoda oferece novas oportunidades para todos. Andar mais a pé e de bicicleta é uma forma de prosperar, pois ajuda a reduzir as emissões, além de serem formas de transporte ativo e saudável. Ao lado dessas alternativas, o transporte coletivo também pode beneficiar mais pessoas, diminuindo as emissões veiculares que contribuem para o aquecimento global e para a poluição do ar e, ao mesmo tempo, reduzindo o tempo total de viagem. Dessa forma, essas soluções beneficiam não só as pessoas, mas também o planeta e o desenvolvimento econômico.

Recomendamos aos urbanistas e desenvolvedores de políticas públicas que utilizem este guia e que mudem a forma como planejam e projetam as cidades e suas vias. No WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis, nossa abordagem é “Contabilizar, Modificar, Expandir”. As cidades podem usar as práticas descritas aqui para fazer mudanças reais, baseadas no contexto local, e expandir o uso dessas soluções para melhorar a segurança viária e a qualidade de vida de sua população.

As cidades projetadas com foco na segurança viária ajudam a criar um mundo urbano onde todos podem prosperar. As cidades com desenhos urbanos mais seguros podem salvar vidas.

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Executive Summary

Muitas cidades do mundo podem se tornar locais mais seguros e saudáveis ao modificarem o desenho de suas vias e comunidades. Cidades onde as vias são projetadas para servir principal ou exclusivamente ao tráfego de veículos motorizados poderiam melhor garantir a proteção de todos os usuários, se fossem projetadas para servir, de fato, a pedestres, ciclistas, usuários do transporte coletivo etc.

Porém, não é isso o que acontece atualmente em muitas cidades. As mortes no trânsito chegam a 1,24 milhão de pessoas anualmente e mais de 90% delas ocorrem em países de média e baixa renda (WHO, 2013). Atualmente, essa é a oitava causa de morte no mundo e estima-se que será a quinta em 2030, segundo as tendências atuais. A maioria dos óbitos é de usuários vulneráveis – pedestres e ciclistas de países em desenvolvimento que são frequentemente atingidos por veículos motorizados (WHO, 2009).

As mortes no trânsito causam grandes prejuízos econômicos: chegam a 3% do produto interno bruto (PIB) na Índia e na Indonésia, 1,7% no México, 1,2% no Brasil e 1,1% na Turquia (WHO, 2013). Quase a metade dessas fatalidades ocorre nas cidades; uma proporção maior de feridos graves no trânsito ocorre em áreas urbanas e envolvem usuários vulneráveis (Dimitriou e Gakenheimer, 2012; European Commission, 2013).

Esse problema global de saúde está sendo impulsionado por importantes processos que passam, muitas vezes, despercebidos. Em todo o mundo – e especialmente em países como o Brasil, a Índia, o México, a Turquia, a China e outras economias emergentes –, as pessoas estão comprando automóveis ou motocicletas a um ritmo arrebatador. O número de automóveis em circulação no mundo já ultrapassou 1 bilhão e deve chegar a 2,5 bilhões em 2050 (Sousanis, 2014). O percentual da população que reside em cidades pode passar de 50%, em 2007, para 70%, em 2030 (UNICEF, 2012). A ocupação do solo por áreas urbanas deve dobrar em 2020 em relação a 2000 (Angel, 2012). Com o aumento populacional e com o crescimento econômico, há uma enorme demanda por novas habitações e pela expansão urbana, o que gera a necessidade de uma rede viária, bem como de espaços públicos para a sua interligação. 

Uma resposta típica a essas dificuldades é a construção de vias e a projeção de bairros para automóveis. No entanto, essas são soluções de curto prazo para facilitar o trânsito ou melhorar a segurança apenas dos motoristas. Com o passar do tempo, irão estimular um crescimento ainda maior do uso de automóveis e uma necessidade de cada vez mais vias, com consequente aumento das mortes no trânsito (Leather et al., 2011). 

Contudo, há outro caminho. As cidades podem projetar vias e todo tipo de construção para serem mais seguros, não apenas nos novos bairros, mas também transformando os já existentes. Considerar uma ampla rede viária e a hierarquia dos seus usuários pode revelar oportunidades tanto nos corredores críticos de transporte coletivo quanto nas vias do entorno. Essa abordagem é chamada de “sistema seguro”, em prol da segurança viária. Ela estabelece metas e trabalha para mudar o ambiente viário a fim de reduzir feridos e mortos no trânsito (Bliss e Breen, 2009).

Através da iniciativa EMBARQ, o WRI Ross Centro para Cidades Sustentáveis criou este guia para mostrar exemplos reais e técnicas baseadas em evidências para melhorar a segurança através do projeto de bairros e vias, com enfoque nos pedestres,
ciclistas e transporte coletivo, e para reduzir a velocidade e o uso desnecessário de veículos. 

O capítulo 2 deste guia apresenta uma visão geral das condições atuais de segurança viária nas cidades, os diferentes grupos de pessoas afetados pela segurança e o que significa “Projetar Cidades mais Seguras” através de projetos urbanos e viários que aumentam a proteção para todos os usuários das vias. 

O restante do guia – capítulos 3 a 8 – fornece descrições das diferentes medidas e elementos que são os princípios-chave de projetos para promover a segurança viária. Esses princípios são compostos pelos temas a seguir e podem ser encontrados em
exemplos positivos em cidades ao redor do mundo.

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