Mobilidade Urbana em Comunidades

(Foto: Mariana Gil / WRI Brasil | EMBARQ Brasil)

Cerca de 25% da população urbana vive em assentamentos informais ou condições precárias no Brasil atualmente. A falta de opções de transporte e o desenho urbano desfavorável são barreiras no dia a dia destas comunidades. O grande desafio tem sido encontrar soluções de transporte que superem as condições adversas e propiciem melhor mobilidade e acessibilidade a estas pessoas. 

Mesmo com os entraves, 57% dos deslocamentos nestas comunidades são realizados a pé e de bicicleta. Os números comprovam que o transporte sustentável já faz parte da vida nas comunidades. Com o objetivo de incentivar o uso da bicicleta e ampliar os benefícios desse meio de transporte em comunidades, o WRI Brasil Cidades Sustentáveis realiza pesquisas e publicações técnicas com melhores práticas direcionadas a técnicos e gestores públicos. 


Complexo da Penha (Foto: Jacob Koch)

 

Diagnóstico do transporte nas favelas do Rio de Janeiro

O estudo intitulado Transportation in the Favelas of Rio de Janeiro (em português, Transporte nas Favelas do Rio de Janeiro) foi realizado em 2012 com base em uma pesquisa aplicada a dois mil moradores de três favelas cariocas com diferentes tipologias e localizações geográficas: o Complexo da Penha, na Zona Norte; o Batam, na Zona Oeste; e o Morro da Babilônia/Chapéu Mangueira, na Zona Sul da cidade. O objetivo foi preencher a lacuna existente na literatura acadêmica sobre os meios de transporte em áreas de ocupação informal.


Complexo São Carlos, RJ (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Realizada com o apoio do Lincoln Institute of Land Policy, a pesquisa analisou o comportamento dos moradores das três comunidades quanto à mobilidade. No processo, foram analisados os índices de mobilidade, a propriedade de veículos privados, o transporte não motorizado, as durações e motivos das viagens e a percepção quanto à segurança viária. De acordo com a pesquisa, a grande maioria dos deslocamentos dentro das favelas é feita por meios não motorizados, já fora, os motorizados são maioria.


Jardim Batam (Foto: Jacob Koch)

O estudo é assinado por Luis Antonio Lindau, diretor do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, Jacob Koch, urbanista e pesquisador norte-americano, e Carlos David Nassi, professor do Programa de Engenharia de Transportes da UFRJ.

 

O que mudou no transporte nas favelas do Rio de Janeiro
 


Morro dos Cabritos, RJ (Foto: WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Com o aproveitamento de dados da pesquisa anterior e outros estudos, foi realizado um novo questionário, em novembro de 2013, com foco nas comunidades cariocas do Complexo da Penha, Morro da Babilônia/Chapéu Mangueira, Complexo do Lins e Cidade de Deus. As localidades foram escolhidas por terem passado recentemente por um processo de transformação através do programa Morar Carioca, ou onde ainda há obras em andamento. No total, 2 mil moradores foram ouvidos, sendo 500 de cada comunidade.

A preocupação do estudo foi levantar informações sobre hábitos de frequência e utilização de diversos modais, percepção de melhorias na pavimentação e urbanização da comunidade, bem como avaliação da qualidade do ar e do mobiliário urbano. Por meio de um comparativo com pesquisas anteriores, foi possível verificar a satisfação da comunidade em relação às mudanças realizadas pelo programa municipal.


Complexo Santa Marta (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Principais resultados e comparações entre as pesquisas de 2012 e de 2013

Insegurança

Complexo São Carlos (Foto: Mariana Gil / WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

  • Ao avaliar-se a segurança, tanto dentro como fora da comunidade, a motocicleta é o meio de transporte em que as pessoas se sentem mais inseguras em relação a possíveis acidentes: 66,2% dentro da comunidade e 88% nas ruas do Rio de Janeiro.
  • Em 2012, no Complexo da Penha, independente de ser ciclista ou não, 64,5% dos entrevistados se sentiam inseguros ou muito inseguros com relação a um possível atropelamento ao andar de bicicleta. No ano seguinte, essa taxa diminui levemente para 61,8%. Já nas favelas da Babilônia/Chapéu Mangueira esse número melhorou razoavelmente: de 63,8% para 44,6%. Essas taxas estão interligadas com a quantidade de bicicletas compradas após as mudanças. No Complexo da Penha, 6,6% dos entrevistados compraram bicicletas em 2013, sendo que este número é de 19,2% em Chapéu Mangueira/Babilônia, o mais alto entre as quatro comunidades.
  • Os moradores do Complexo da Penha são, em geral, os que se sentem mais inseguros em relação a acidentes fora da comunidade. 82% dos entrevistados se sentem inseguros e muito inseguros com relação a acidentes de trânsito como pedestre, 89,8% como ciclista, 81,4% como passageiro de ônibus e 90,6% como passageiro de van/Kombi. Com relação a acidentes com motocicleta, 88,8% dos entrevistados do Complexo da Penha se sentem inseguros como condutor de moto e 88,4% como passageiro.

Melhorias


Complexo da Penha (Foto: Jacob Koch)

  • Com relação às melhorias urbanas já implementadas, 35,1% dos entrevistados concordam totalmente ou em parte que as mudanças realizadas melhoraram as condições para andar de bicicleta, enquanto que 36,2% concordam que houve melhorias para andar de motocicleta. No Complexo do Lins, esses números foram os mais expressivos: 89,8% e 84,2% respectivamente.
  • 49,5% dos entrevistados concordam totalmente ou em parte que as mudanças realizadas levaram à maior melhoria para caminhar, sendo que no Complexo do Lins esse número foi de 94%.

Frequência de uso


Jardim Batam (Foto: Jacob Koch)

  • 25% dos entrevistados que usam bicicleta aumentaram o uso após as melhorias realizadas nas ruas da comunidade, sendo que este aumento foi ainda mais relevante no Complexo do Lins com 53,13%.
  • 19,4% dos entrevistados que usam motocicleta aumentaram o uso após as melhorias realizadas nas ruas da comunidade, sendo que este aumento foi ainda mais relevante no Complexo do Lins com 40%.

Clique aqui para baixar o Manual de Projetos e Programas para Incentivar o Uso de Bicicletas em Comunidades.

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