Gestão da Demanda de Viagens

(Foto: Mariana Gil / WRI Brasil | EMBARQ Brasil)

Por muitos anos, cidades enfrentaram os problemas de mobilidade urbana com a construção de novas infraestruturas (viadutos, pontes e alargamento de vias) para aumentar a capacidade viária e assim acomodar o crescente número de automóveis. Esta estratégia tenta resolver problemas de mobilidade através da maior oferta de espaço viário. Contudo, esta prática acaba por induzir um aumento de tráfego e, em pouco tempo, os vultosos investimentos realizados já não fornecem os benefícios desejados. Assim, planejadores urbanos e engenheiros de tráfego se voltaram para uma nova estratégia: a Gestão da Demanda de Viagens (TDM, do inglês Transportation Demand Management), a fim de otimizar o uso da infraestrutura e opções de transportes disponíveis.
 
As medidas de GDV consistem em incentivar o uso de alternativas de transporte mais sustentáveis, reduzindo o número de viagens realizadas por automóvel, especialmente, as com um único ocupante por veículo. Entre os benefícios de investir em GDV estão: reduzir o congestionamento e as emissões de poluentes locais e materiais particulados, melhorar a qualidade de vida das pessoas e promover o desenvolvimento econômico da cidade.
 
Diversos setores podem contribuir para a implantação de medidas de GDV. O setor público desempenha um importante papel na gestão de demanda ao elaborar políticas de estacionamento e de restrição ao uso do automóvel. O setor privado por sua vez pode promover ações que instiguem seus funcionários a utilizar modos de transporte mais sustentáveis para os deslocamentos diários de casa ao trabalho.
 
Embora não controlem a forma como seus funcionários vão ao trabalho, as empresas podem estimular sua mudança de hábito ao prover informações e incentivos sobre modos de transporte alternativos ao automóvel particular. Por exemplo, disponibilizar vestiários e locais seguros para o estacionamento de bicicletas pode fomentar pessoas a optarem por este modal. A mesma lógica é válida para o transporte coletivo, ônibus fretado, carona, entre outras medidas. Além disso, a própria necessidade de deslocamento pode ser suprimida com a adoção do teletrabalho ou de semanas comprimidas.
 
Para o sucesso das medidas de GDV é preciso que funcionários e empresas conheçam as vantagens individuais e coletivas de sua adoção. Logo, investir em informação e marketing sobre as medidas é fundamental para alavancar os benefícios esperados.

Baixe o Passo a Passo para a Construção de um Plano de Mobilidade Corporativa. 

O Seattle Children’s Hospital, trimestralmente, elege um colaborador que tenha aderido às alternativas de transporte incentivadas pela empresa como o Star Commuter (“estrela do deslocamento ao trabalho”). O eleito ganha o perfil divulgado nos meios de comunicação interna do hospital Uma empresa de tecnologia contava com uma rede social interna para seus funcionários. Através dela, a gerência criou um “selo” para quem fizesseum determinado número de viagens de bicicleta ao trabalho. Este selo acabou se tornando mais cobiçado do que as recompensas financeiras antes oferecidas.

Estratégias de GDV são vantajosas para empresas, que veem a produtividade dos funcionários subir e têm maior capacidade de reter e contratar talentos nos mercados competitivos. A imagem corporativa também é beneficiada, uma vez que a GDV pode auxiliar a empresa a atingir suas metas de sustentabilidade. Contudo, nenhum benefício é maior do que o aumento da qualidade de vida dos funcionários. Não por acaso, 90% das empresas relacionadas pela Revista Fortune como as “100 Melhores Empresas” desenvolvem estratégias de TDM.
 
Além da divulgação do conceito, o WRI Brasil Cidades Sustentáveis apoia o setor público e privado na elaboração de estratégias para a implantação de medidas de GDV. Entre os projetos apoiados estão o Projeto Piloto de Mobilidade Corporativa CENU-WTC e o Projeto de Mobilidade Corporativa do CEBDS.
 

Projeto Piloto de Mobilidade Corporativa CENU-WTC

 
Acordar cedo, ir de carro para o trabalho sozinho, enfrentar 146 km de lentidão e 2h46min no trânsito, este é o dia típico de um cidadão paulistano. O resultado é praticamente um mês do ano gasto preso no congestionamento. Este precioso tempo poderia ser utilizado de forma produtiva, seja para a atividades profissionais ou pessoais. Para mudar esta realidade, as empresas estão se voltando para o conceito de mobilidade corporativa. A medida busca estimular a mudança dos hábitos de deslocamento dos funcionários através da racionalização do uso do automóvel e do incentivo ao uso de modos mais sustentáveis.
 
Em um trabalho conjunto de WRI Brasil, WRI Brasil Cidades Sustentáveis e Banco Mundial, em 2012, foi desenvolvido um projeto piloto em São Paulo para aplicar soluções de mobilidade corporativa. Para iniciar o projeto, foi escolhida a região da Berrini, a qual possui o maior índice de pessoas se deslocando sozinhas em automóveis, de acordo com a pesquisa Origem-Destino do Metrô de São Paulo. Escritórios localizados nos edifícios do Centro Empresarial Nações Unidas (CENU) do World Trade Center (WTC) foram convidados a participar do projeto que teve a adesão inicial de 20 empresas, totalizando mais de mil funcionários envolvidos.
 
O projeto foi constituído, incialmente, por seminários de sensibilização e pela formação de importantes parcerias com instituições ligadas à mobilidade urbana na cidade de São Paulo como, por exemplo, Bike Anjo, Caronetas, Transfretur, TC Urbes, Zazcar e SOBRATT (Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividades). Os parceiros fomentaram a adoção de medidas relacionadas a um transporte mais sustentável.
 
A etapa seguinte foi a realização de uma pesquisa detalhada com as empresas para inferir o padrão de deslocamento de seus funcionários. Ela também indicou por quais incentivos as pessoas deixariam o seu carro em casa e o trocariam por alternativas mais sustentáveis como carona, bicicletas, caminhadas, ônibus fretados e transporte coletivo.
 
As empresas foram instigadas a elaborar seus Planos de Mobilidade Corporativa a partir dos dados coletados na pesquisa e das recomendações dadas. Após um período de consolidação das medidas de mobilidade corporativa, uma nova pesquisa foi realizada para medir os ganhos alcançados.
 
Clique aqui para acessar os resultados do projeto piloto realizado com os profissionais das empresas do Centro Empresarial Nações Unidas (CENU) do World Trade Center (WTC), em São Paulo.

 

Projeto de Mobilidade Corporativa CEBDS

Preocupado em chamar a atenção do setor empresarial para a mobilidade urbana e mostrar o papel fundamental que as grandes companhias desempenham neste tema, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) está buscando soluções sustentáveis em transporte que tragam retornos positivos para a cidade, as empresas e seus funcionários. Através da Câmara Temática de Mobilidade Sustentável (CTMobi), o Conselho estabeleceu uma parceria com o WRI Brasil Cidades Sustentáveis para desenvolver um estudo sobre mobilidade corporativa.
 
Através da experiência de um grupo de empresas associadas, busca-se apresentar as oportunidades de ganhos econômicos e ambientais a partir da implantação de projetos de mobilidade corporativa. Além disso, o estudo visa fomentar o desenvolvimento de programas específicos para as necessidades de cada empresa. Por meio da construção de cenários serão feitas análises para revelar os benefícios potenciais dos projetos de mobilidade corporativa para a qualidade de vida dos funcionários, o aumento da produtividade das empresas, a redução de  custos e do impacto ambiental das viagens realizadas.

Fique Ligado

Newsletter

Inscreva-se para receber a newsletter do WRI Brasil Cidades Sustentáveis. Increver-se