Caminhos para a Cidade Administrativa de Minas Gerais: pesquisa mostra o padrão de deslocamento dos servidores

WRI Brasil Cidades Sustentáveis apresentou dados sobre a rotina de mobilidade dos servidores do governo do Estado de Minas Gerais

Cidade Administrativa de Minas Gerais, sede do governo do Estado, tem cerca de 17 mil servidores (Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Prédios novos, modernos e bem estruturados marcam a Cidade Administrativa de Minas Gerais (CAMG), sede do governo do Estado, na capital Belo Horizonte. Em funcionamento desde 2010, o local passou a reunir todas as secretarias estaduais e seus cerca de 17 mil servidores. Apesar de integrar os serviços, a mudança de endereço influenciou em um ponto importante para a rotina da população: o deslocamento. A CAMG está localizado a 20 km de distância do antigo endereço, na região centro-sul, o que influenciou no tempo de deslocamento médio diário dos colaboradores.

O desafio, segundo Grasielle Oliveira Esposito, intendente da CAMG, é desenvolver um grande projeto de mobilidade corporativa, que priorize a qualidade de vida dos servidores e incentive opções mais sustentáveis de transporte. "2015 foi um ano estruturador, para encontrarmos embasamento para os próximos passos, para fazermos certo", disse. 

Para isso, o WRI Brasil Cidades Sustentáveis, em parceria com o governo do Estado de Minas Gerais, realizou uma pesquisa de padrão de deslocamento para entender como são realizadas as viagens de casa para o trabalho dos servidores. O objetivo é disseminar os benefícios da mobilidade corporativa e suas boas práticas, além de indicar medidas que tenham potencial para melhorar a qualidade de vida de quem trabalha na CAMG. 

Diagnóstico CAMG
(Foto: Mariana Gil/WRI Brasil Cidades Sustentáveis)

Durante o 1º Cidade Participativa, nesta segunda-feira (14), que contou com cerca de 80 servidores e com a participação da BHTrans, Guillermo Petzhold, engenheiro de Transportes do WRI Brasil Cidades Sustentáveis, apresentou os resultados do levantamento. Com 4.593 participações, os números mostram que a jornada de trabalho geralmente começa entre 8h e 8h15 e termina entre 16h e 17h. A maioria dos funcionários reside na região Centro-Sul, área da antiga sede do Governo do Estado, e precisa buscar uma forma de chegar à Cidade Administrativa.

Para se deslocar, 58,56% dessas pessoas utiliza transporte coletivo, enquanto 40,76% fazem o trajeto de transporte individual motorizado. A maior parte dos deslocamentos leva entre 31 e 90 minutos, sendo que o deslocamento da volta demora, geralmente, 20% a mais. “Mesmo utilizando um meio de transporte mais sustentável, os usuários do transporte coletivo passam 78% mais tempo no trânsito. É necessário melhorar este cenário”, destacou Petzhold. Ao longo de um ano, quem vai de carro perde o equivalente a nove semanas de trabalho; na vida de quem vai de transporte coletivo, são, em média,16 semanas. 

Os prejuízos não são medidos apenas em tempo perdido. Para mitigar a emissão de CO2 de um ano de deslocamento, seriam necessários 2.444 hectares de bosque. Ou seja, um funcionário padrão da CAMG deveria plantar 12 árvores para compensar suas emissões ocasionadas pelos seus deslocamentos ao longo de um ano. 

Alternativas
Algumas opções para reduzir esse impacto já estão em andamento na Cidade Administrativa. A jornada mais flexível, que permite ao funcionário chegar e sair fora dos tradicionais horários de pico, é uma das saídas encontradas pela gestão do local. 

Das 3.928 vagas de estacionamento, 231 são reservadas para o sistema de carona solidária, o que representa 6% do total. O incentivo para quem leva um colega em seu carro retribui com vagas mais próximas ao acesso dos prédios. "Analisando as áreas onde os servidores moram, 95% daqueles que declararam que estariam dispostos a receber carona teriam oferta real", comentou Petzhold. 

Ainda assim, o transporte coletivo foi apontado como a principal alternativa para que os funcionários deixem de dirigir sozinhos ou ir de motocicleta para o trabalho, seguido por receber e oferecer carona, e, por fim, pelo uso de bicicletas. 

Participação popular
O 1º Cidade Participativa abriu espaço para a fala dos servidores, a fim de entender a percepção sobre as possibilidades de mudança na mobilidade corporativa. Foram relatados problemas em acessibilidade e baldeação no transporte público, cobrando, dos setores responsáveis, soluções que tornem mais atrativa a troca de modal. 

Dentre os questionamentos, o principal desconforto foi em relação aos horários das linhas de ônibus mais utilizadas para chegar à CAMG. Segundo os funcionários, falta fiscalização na tabela horária que, se não tivesse falhas, já resolveria parte do desgaste com o deslocamento. As paradas de ônibus, que ainda contam com estruturas temporárias, também apareceram como motivo para que a rotina seja estressante. 

Os funcionários ainda apontaram as dificuldades do uso da bicicleta e o quanto seria importante o investimento em uma estrutura adequada. Uma das sugestões foi a implementação de um sistema de bike sharing dentro da Cidade Administrativa, para facilitar o deslocamento entre os prédios. 

O presidente da BHTrans, Ramon Victor Cesar, o diretor de Transporte Público, Daniel Marx, e a intendente da CAMG responderam as perguntas e reclamações, e se comprometeram em buscar soluções integradas que melhorem a mobilidade corporativa na região. "É impossível implantar um projeto sem ter um plano consistente. Nosso compromisso com o WRI Brasil Cidades Sustentáveis vai além de uma consultoria, precisamos mostrar resultados através das recomendações propostas para melhorar a vida do servidor. É impossível fazer sozinho, por isso, é imprescindível a participação social, do governo e da BHTrans. O governo de Minas Gerais e a prefeitura de Belo Horizonte estão no caminho certo, que é trabalhar juntos para o servidor e para humanizar a cidade administrativa", enfatizou Grasielle.

Clique aqui para conferir o diagnóstico do padrão de deslocamento na CAMG

 

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